Título: PR volta a negar fraude em laudo sobre doença
Autor: Alda do Amaral Rocha
Fonte: Valor Econômico, 23/11/2005, Agronegócios, p. B12
O vice-governador e secretário da Agricultura do Paraná, Orlando Pessuti, descartou ontem a possibilidade de fraude na coleta de amostras de sangue de animais com suspeita de febre aftosa no Estado. "Temos divergências com o ministério [da Agricultura] que são conhecidas de todos. Mas em nenhum momento houve qualquer tipo de fraude", afirmou, durante reunião com a equipe de governo. A suspeita de fraude, com a possível coleta de amostras em animais que sequer tinham idade para ser vacinados, foi informada ao Valor na quinta-feira da semana passada por uma fonte graduada do Ministério do Agricultura. Na sexta-feira, o chefe do setor de Virologia do Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), de Belém, Júlio Montenegro, confirmou ter recebido material de gado com menos de 12 meses de idade. Para acabar com a troca de acusações, representantes da secretaria da Agricultura do Paraná encontraram-se com o ministro Roberto Rodrigues no sábado, em uma fazenda no interior de São Paulo. "Se um ou outro fez declarações, está tudo acertado. No fim de semana colocamos fim às divergências", disse Pessuti a jornalistas, antes de ser chamado pelo governador Roberto Requião (PMDB) para negar a existência da fraude aos colegas de equipe. "O Paraná é a maior vítima de todo o processo, porque o surgimento da febre aftosa no Mato Grosso do Sul nos perturba, nos causa esse transtorno", disse o vice-governador. Ele explicou os procedimentos de coleta de materiais e realização de cinco tipos de exames nos animais. "Temos mais de 200 exames concluídos e nenhum deles atesta a existência da aftosa, mas como alguns animais reagiram positivamente, novas coletas serão feitas para que possamos ter certeza absoluta de que não temos o problema", adiantou ele. Conforme Pessuti, quando o assunto é virologia, a matemática não é exata. "Muitas vezes dois mais três não são cinco, mas um bilhão. Por isso a necessidade de mais exames e por isso a demora que nos angustia e que faz com que coisas sejam faladas, suspeitas sejam levantadas". Ele contou que foram coletados materiais de bezerros, vacas e touros, alguns com qualidade, outros não. "Quando eles dizem que o material foi insuficiente, era de qualidade ruim, é porque a lesão, a afta, o epitélio lesionado já não apresentava a abundância de lesão como no Mato Grosso do Sul". Ao contrário de outras ocasiões, tanto Pessuti como Requião evitaram críticas ao ministério. O governador sequer quis comentar o assunto. "Fale com o Pessuti sobre a aftosa, ele é o capitão da aftosa no Paraná", recomendou Requião ao ser questionado sobre o assunto. "Posso afirmar a vocês que estamos no caminho para solucionar os problemas", garantiu Pessuti.