Título: Renda cai, mas emprego fica estável
Autor: Fernando Nakagawa
Fonte: Valor Econômico, 24/11/2005, Brasil, p. A4
A renda média do trabalhador caiu 1% na Grande São Paulo em setembro, na comparação com o mês anterior, de acordo com pesquisa da Fundação Seade e do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). A redução inverte tendência de alta, observada por três meses consecutivos, até agosto. De acordo com o coordenador de análise econômica do Seade, Alexandre Loloian, o aumento da inflação prejudicou o resultado. A renda média do trabalhador ocupado ficou em R$ 1.071 em setembro. Em relação a setembro de 2004, houve recuperação de 2,7%. A renda média do trabalhador da indústria ficou em R$ 1.292 em setembro. No acumulado dos 12 meses, a renda média dos empregados do setor teve alta de 9,7%. A taxa de desemprego na Grande São Paulo, por sua vez, manteve-se estável em 16,9% no mês passado, o que representa 1,060 milhão de pessoas sem trabalho. Segundo Loloian, o resultado foi afetado pelo fechamento de 77 mil postos no setor de serviços, que teve desempenho "muito aquém do esperado pelo segundo mês consecutivo". A taxa de ocupação em serviços diminuiu 1,7%, com queda expressiva nos ramos da saúde (-11,2%), limpeza (-7,4%), reformas (-6,9%) e educação (-4,1%). Para Loloian, é cedo para fazer uma análise mais profunda da redução de postos nos serviços, mas observa que as empresas estariam colocando o pé no freio. Nos demais ramos pesquisados, a indústria registrou aumento de 32 mil postos de trabalho em outubro, alta de 2% na ocupação. O comércio teve alta de 1,8% (24 mil novas vagas), e o grupo "outros setores" - que engloba construção civil e empregos domésticos - gerou 17 mil postos, 1,8% de alta. O resultado do desemprego só não foi pior na região porque a População Economicamente Ativa (PEA) diminuiu em 5 mil pessoas na mesma comparação.