Título: Mais R$ 2 bi para a safra 2005/06
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 24/11/2005, Agronegócios, p. B14
Política agrícola
Embora grande parte da nova safra de grãos (2005/06) já esteja plantada, o governo federal anunciou ontem a destinação de R$ 2 bilhões para custeá-la. Os recursos, com juros subsidiados pelo Tesouro Nacional de 8,75% ao ano, servirão para reduzir as taxas médias praticadas pelo mercado - o Banco do Brasil, por exemplo, cobra 27% ao ano nos empréstimos com Cédula do Produto Rural. "Gostaria que tivesse saído em agosto, mas tudo bem", declarou o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Ele pedia os recursos à área econômica do governo desde o início deste ano. A medida deve custar R$ 63,5 milhões ao Tesouro. O secretário de Política Agrícola do ministério, Ivan Wedekin, disse esperar um retorno às taxas médias de 15% anuais previstas no Plano de Safra, anunciado em junho. Os recursos serão somados aos R$ 4 bilhões originais do plano. "Isso dá 50% a mais que o previsto aos bancos", disse. Os recursos também neutralizam boa parte dos efeitos negativos da rolagem das dívidas, estimadas em R$ 3 bilhões, em função das quebras pela forte seca no Centro-Sul.
Produtores rurais que prorrogaram dívidas não conseguiram contratar novos créditos nos bancos
Acossados por uma forte queda de renda, os produtores rurais que prorrogaram não conseguiram contratar novos créditos nos bancos. Conseguiram, antes disso, a liberação de R$ 700 milhões do governo para auxiliar a comercialização da temporada passada (2004/05), encerrada em junho. As dificuldades do setor são traduzidas pela queda dos empréstimos para financiar a safra. Wedekin informou que foram desembolsados apenas R$ 12,4 bilhões dos R$ 33,2 bilhões destinados ao custeio e à comercialização da atual safra. Significa uma queda de 24% sobre o resultado de R$ 16,2 bilhões registrado na safra anterior. Ivan Wedekin informou que o governo gastou R$ 854 milhões para apoiar a venda de 3,546 milhões de toneladas até a última sexta-feira - 605 mil em compras diretas (AGF). "Se os recursos tivessem saído na hora, em junho, o gasto seria menor", lamentou Wedekin. Em 2004, foram gastos R$ 272 milhões.
Ministério informou que pediu ao CMN a liberação de R$ 400 milhões para custear a safra 2006/07 de café
O AGF é muito mais caro que intervenções pontuais como EGF, PEP e opções públicas e privadas. O governo gastará R$ 71,5 milhões para alavancar um total de 360 mil toneladas de milho na região Centro-Oeste do país. Até dezembro, serão gastos mais R$ 290 milhões para comprar outras 1,005 milhão de toneladas de milho, arroz, trigo, farinha e fécula de mandioca para sustentar preços mínimos. O caro pacote pelo menos surtiu efeito. As cotações reagiram e estão acima do mínimo. O Ministério da Agricultura informou também ter encaminhado ao Conselho Monetário Nacional (CMN) pedido para a liberação de R$ 400 milhões ao custeio da safra 2006/07 de café. O CMN reúne-se hoje. O dinheiro sairá do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) com um juro de 9,5% ao ano. O Tesouro Nacional gastará R$ 12,7 milhões para bancar a diferença entre o custo de captação do dinheiro e os juros subsidiados. Os cafeicultores aguardavam esses recursos desde agosto. O Funcafé tem orçamento de R$ 1,25 bilhão para este ano.(MZ)