Título: Superávit em conta corrente faz BC elevar projeção para o ano que vem
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 25/11/2005, Finanças, p. C2
O superávit em conta corrente de outubro chegou a US$ 911 milhões, acima dos US$ 800 milhões esperados pelo Banco Central. A persistência de altos saldos nos últimos meses levou a autoridade monetária a rever para cima suas projeções para o indicador para 2005 e 2006. Para este ano, o Banco Central elevou sua estimativa de US$ 9,4 bilhões para US$ 13,6 bilhões. Ao revisar os números, a autoridade monetária rendeu-se à constatação de que, de janeiro a outubro deste ano, o saldo já havia atingido US$ 11,974 bilhões. O ano de 2006 nem começou e o BC já começou a rever para cima as suas projeções - agora, US$ 3,7 bilhões, em vez de US$ 0,7 bilhão estimado há dois meses. Ou seja: em vez de um resultado próximo de zero em conta corrente, o BC já espera um superávit muito próximo de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Há dois meses, quando divulgou suas projeções oficiais no balanço de pagamentos, o BC traçou um cenário de retração relativamente forte na demanda externa e expansão da demanda doméstica. O cenário continua em pé, mas o movimento será menos intenso. Neste ano, o superávit em conta corrente projetado é de 1,75% do PIB. Não será surpresa, porém, se o BC voltar a revisar as projeções para conta corrente, prevendo maior força da demanda externa. Foi o que ocorreu nos dois últimos anos. O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, explica que o fator por trás das revisões do resultado de conta corrente é o comércio exterior. O saldo projetado para este ano foi elevado de US$ 38 bilhões para US$ 43 bilhões. "O saldo comercial já chegou a US$ 39 bilhões", disse Lopes, referindo-se aos dados acumulados no ano até a terceira semana de novembro. Para 2006, agora o BC espera saldo de US$ 34 bilhões, em vez de US$ 29 bilhões. Na visão do BC, as importações vão crescer 20% , puxadas pelo maior nível de atividade econômica; as exportações irão se expandir apenas 5%. "As exportações atingiram um patamar bastante elevado. É de se esperar uma certa desaceleração no crescimento." O saldo de US$ 911 milhões em conta corrente em outubro (11,8% menor do que o mesmo mês de 2004) é resultado do superávit de US$ 3,686 bilhões na balança comercial, dos ingressos líquidos de US$ 306 milhões de remessas unilaterais e do saldo negativo de US$ 3,081 bilhões no balanço de serviços e rendas. Seguindo tendência de meses anteriores, as remessas de lucros e dividendos se mantiveram elevadas - somaram US$ 1,189 bilhão, alta de 133% em relação a outubro de 2004. Essa despesa tem-se mantido tão pressionada que o BC elevou sua projeção de remessas para 2005 e 2006. Em ambos os anos, projetava-se US$ 10 bilhões e, agora, são esperados US$ 12 bilhões. O pagamento de juros chegou a US$ 1,333 bilhão em outubro, 5,7% menor do que no mesmo mês de 2004. Essa despesa tem se mantido sob controle devido à queda da dívida externa e do aumento das reservas internacionais, cujas aplicações ampliam as receitas do país com juros. Entre os demais serviços, o turismo registrou déficit (US$ 104 milhões), assim como aluguel de equipamentos (US$ 319 milhões) e pagamento de royalties e licenças (112 milhões).