Título: Nova ministra da Economia é crítica do FMI
Autor: Paulo Braga
Fonte: Valor Econômico, 29/11/2005, Internacional, p. A8
Perfil
O presidente Néstor Kirchner escolheu para o Ministério da Economia uma aliada de larga experiência tanto na gestão pública como na privada. Em abril, quando se especulava no nome de Felisa Josefina Miceli para uma candidatura ao Parlamento, ela definiu-se como "uma soldado da causa kirchnerista". Vista como ligada aos problemas sociais, o nome de Miceli deve estar causando mais temores entre os que estão preocupados com a alta da inflação na Argentina. Em entrevista recente, a nova ministra criticou o FMI e defendeu ser melhor ter inflação com crescimento do que combater a qualquer custo a alta dos preços. "Necessariamente devemos passar por uma inflação um pouquinho maior do que a desejada, mas é isso ou a paz dos cemitérios. É a receita do Fundo [Monetário Internacional], que tão logo subiram um pouco os preços voltou com a recomendação de ajustar os gastos e subir os impostos. Suas teorias são de um simplismo que espanta. Só levam à recessão, ao desemprego e ao fechamento de empresas", declarou em entrevista em outubro ao jornal "Página/12". Na mesma ocasião, disse que a inflação "é um argumento para manter os salários baixos. Se não houver ajustes de salários, como distribuiremos melhor a renda? Inclino-me a pensar que a inflação é conseqüência de um aumento da demanda que não pode ser acompanhado pela oferta." Com 52 anos, Miceli nasceu em Carlos Casares, na Província de Buenos Aires, é casada e tem três filhos. Formou-se aos 22 anos em economia pela Universidade de Buenos Aires. É professora universitária, consultora econômica e especialista em financiamento de políticas sociais. A carreira de Miceli tem muitos vínculos com o ministro demissionário. Ela conhece Lavagna há três décadas e trabalhou entre 1990 e 1993 na Ecolatina, uma consultoria fundada pelo ex-ministro. Também esteve com Lavagna no Instituto para o Desenvolvimento Econômico e Social. Antes de assumir em junho de 2003, por indicação de Lavagna, a Presidência do estatal Banco de La Nación Argentina, Miceli foi representante do Ministério da Economia junto ao Banco Central. Entre 1983 e 1987, foi diretora do Banco de la Provincia de Buenos Aires. (Com agências internacionais)