Título: Vale investirá US$ 8,6 bi de olho na China
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 12/11/2004, Empresas, p. B6
Mineração Programa da companhia para até 2010, que destaca ferro e cobre, tem aumento de US$ 1,1 bilhão
A Cia. Vale do Rio Doce planeja investir US$ 8,6 bilhões na expansão de seus negócios até o final da década - US$ 1,1 bilhão a mais em relação aos US$ 7,5 bilhões divulgados em junho. O anúncio foi feito por Fábio Barbosa, diretor-financeiro da companhia, ao comentar o balanço da empresa no terceiro trimestre, que revelou lucro líquido de R$ 2,3 bilhões. Barbosa acredita que a economia mundial vá crescer 3% ao ano nos próximos dois anos e a China na faixa de 8%, o que desenha um cenário promissor para os negócios futuros da Vale. "O grande motor do crescimento chinês vai se manter e estaremos programados para acompanhá-lo", disse o diretor, confirmando que a China é o maior mercado da Vale enquanto país isolado. Individualmente, os chineses absorvem maior quantidade de minério depois do Brasil. Até setembro, a China importou no mercado global 150 milhões de toneladas de minério de ferro - 20% foram vendidas pela Vale (30 milhões). Barbosa considera o minério de ferro o principal negócio da Vale com os chineses, mas destacou que a companhia também está envolvida em duas joint ventures na área de carvão com as empresas chinesas Yanguang, com quem já assinou um acordo de acionistas, e com a Yong Cheng Coal and Electricity. Na visita que o presidente da China, Hu Jintao, está fazendo ao Brasil, a Vale vai assinar um acordo final de acionistas com a Yongcheng, hoje em Brasília. Também vai prorrogar o memorando de entendimento com a Aluminium Corp. of China (Chalco) na área de alumínio, para investimento em uma nova refinaria de alumina no Pará. "A prorrogação desse memorando visa avançar mais os estudos para viabilidade do empreendimento e é uma perspectiva positiva para a a Vale no longo prazo", disse Barbosa. A Vale detém 11% das reservas mundiais de bauxita e tem todas as vantagens competitivas para ser um grande competidor na cadeia de alumínio, eliminado o problema de energia. "A matéria-prima e a competência para operar com bauxita e alumina nós temos. É esta a parceria que os chineses estão buscando conosco", enfatizou. Barbosa citou ainda outra parceria de grande importância da Vale com os chineses, que, segundo ele, está em estágio bem avançado de entendimento. "Também temos em fase bem adiantada a siderúrgica com a Baosteel , que está buscando ampliar horizontes e investir no Brasil, aumentando a produção local de placas com o minério que vamos fornecer". O investimento será de US$ 2 bilhões, que na avaliação de Barbosa, "é, hoje, o maior investimento externo da China". A usina de placas, próxima ao porto de Itaqui, deverá produzir a partir de 2007 entre 3,5 milhões e 4 milhões de toneladas de placa por ano. "Estamos muito próximos da conclusão de nossos entendimentos com a Baosteel e devemos iniciar rapidamente o investimento em si, começando a produzir em 2007", afirmou o diretor-financeiro da Vale. Empresários chineses e brasileiros reúnem-se hoje pela manhã no Conselho Brasil-China, em Brasília, para tratar de novos negócios entre os dois países. O conselho é presidido Roger Agnelli, presidente da Vale.