Título: Peugeot espera prejuízos na América do Sul em 2005
Autor: Marli Olmos
Fonte: Valor Econômico, 12/11/2004, Empresas, p. B8

Veículos Grupo ainda depende da importação de peças de outras regiões

O grupo francês PSA Peugeot Citroën vem tendo lucro no balanço mundial, mas as operações na América do Sul continuam dando prejuízo. A empresa está no vermelho desde que inaugurou a fábrica brasileira, em fevereiro de 2001, e, segundo o presidente mundial, Jean-Martin Folz, não há segurança de que as perdas sejam estancadas em 2005. "Ao contrário das montadoras mais antigas no país ainda dependemos de componentes comprados nos Estados Unidos, Japão e Europa", destaca Folz. "Por isso, sofremos o impacto da diferença entre o real e outras moedas", disse. A empresa não divulga as perdas na América do Sul. Em todo o mundo, o grupo que reúne as duas marcas francesas teve, no ano passado, um resultado líquido positivo de 1,5 bilhão de euros margem operacional de 2,1 bilhões. Sexto maior fabricante de veículos do mundo, o grupo vem, no entanto, crescendo no Brasil a passos mais largos que o próprio mercado. Juntas, as duas marcas detêm 4,3% das vendas de carros e comerciais leves no país. Embora a fatia seja pequena na comparação com os grandes fabricantes de veículos no Brasil, o grupo começa a dar indicativos de que poderá expandir as instalações industriais em breve. Folz anunciou ontem, durante a apresentação da perua do modelo 206, que 80% da capacidade da fábrica brasileira, localizada em Porto Real (RJ), será utilizada a partir do próximo ano. Isso representará a produção de 80 mil veículos. É um salto se comparado com os 18 mil veículos produzidos no primeiro ano de funcionamento dessa fábrica. Em 2004, a produção em Porto Real somará 66 mil veículos, o que equivalerá a um crescimento de 47% na comparação com 2003. A versão perua do Peugeot 206 é o quarto modelo de veículo fabricado pelo grupo no Brasil. A unidade instalada no Estado do Rio fabrica ainda a versão hatch do 206, e os modelos C3 e Picasso, da Citroën. Além disso, essa unidade tem uma linha de produção de motores, que atingirá 50 mil unidades em 2005. Metade será destinada à exportação, principalmente para a Argentina, onde está instalada outra fábrica Peugeot. A expectativa de crescimento das vendas do grupo se sustenta, ainda, no início de produção local de motores 1.4. Isso possibilitará a montagem dos carros menores a custos mais baixos, como o C3, disponível, até agora, apenas na versão 1.6. Com o motor 1.4, a versão popular do modelo Peugeot 206, com motor 1.0, deixará de ser produzida gradativamente. Folz também anunciou ontem que a entrada do grupo no mercado dos combustíveis flexíveis será com os modelos 206 da Peugeot e também o C3, da Citroën. A partir de 2005, esses dois carros sairão com motores que podem funcionar com álcool, gasolina ou a mistura de ambos.