Título: Unibanco aumenta o lucro em 19%
Autor: Maria Christina Carvalho
Fonte: Valor Econômico, 12/11/2004, Finanças, p. C2
Ao anunciar, ontem, o balanço do terceiro trimestre com um lucro líquido de R$ 327 milhões, o vice-presidente corporativo do Unibanco, Geraldo Travaglia, alertou o mercado para não contar com resultados extraordinários neste final de ano por conta da venda da participação do banco na emissora de cartões Credicard e na processadora Orbitall, anunciada segunda-feira. Reconheceu, porém, que o resultado apurado com a venda vai beneficiar o balanço de 2005, aumentando em 1,5 ponto o retorno do banco. As units do Unibanco caíram 0,32%, ontem, para R$ 15,31, depois de terem subido 2,7% de segunda a quarta-feira. O ganho aproximaria o Unibanco da meta traçada pelo presidente, Pedro Moreira Salles, de dar aos acionistas um retorno de 20% em 2006. No entanto, Moreira Salles já avisou os executivos que o reforço extraordinário de lucratividade não poderá ser considerado para o cumprimento da meta. Com o resultado do terceiro trimestre, o Unibanco acumulou em nove meses R$ 907 milhões, 19,32% superior ao de igual período de 2003. O retorno anualizado sobre o patrimônio de final de período ficou em 15,5% e o retorno anualizado sobre o patrimônio médio, como o banco prefere calcular, foi de 16,4%. Houve um avanço em comparação com a rentabilidade de 15,2% do mesmo período de 2003, mas o número ainda está distante dos 20% almejados. O ano, disse Travaglia, deve fechar com retorno de 17% a 18%. Foto: Rogerio Pallatta/ Valor
O vice-presidente corporativo, Geraldo Travaglia, calcula que a venda da Credicard e Orbitall trará um impacto positivo equivalente a 1,5% sobre o patrimônio
Uma combinação de aumento do crédito, da margem financeira e das receitas de serviços com a redução da inadimplência justificaram o aumento do resultado, informou o vice-presidente corporativo. O crédito cresceu 15,2%, de R$ 26,624 bilhões em setembro de 2003 para R$ 30,667 bilhões em setembro passado. Travaglia chamou a atenção para o aumento das operações com pessoas físicas, micro, pequenas e médias empresas. A carteira de pessoa física cresceu 4,8% no terceiro trimestre e 27% em doze meses, para R$ 11,496 bilhões. Somente as operações de cartões de crédito saltaram 59,3% por causa da incorporação da emissora de cartões HiperCard, adquirida em março. Do lado da pessoa jurídica, cuja carteira cresceu 0,5% no trimestre e 9,1% em doze meses, para R$ 19,171 bilhões, o destaque foi a concessão de recursos para as micro, pequenas e médias empresas, que aumentou 8,7% no trimestre e 30,5% em doze meses, para R$ 5,5 bilhões em setembro. Os créditos classificados de D a H, os cinco piores na escala de nove degraus do Banco Central, que começa em AA, diminuíram de 9,6% para 7,8% do total da carteira. Por isso, o banco reduziu em 18,7% para R$ 904 milhões as despesas com provisões, o que ajudou o aumento de 5% da margem financeira, para R$ 4,651 bilhões. A venda da Credicard vai excluir dos livros do Unibanco cerca de R$ 1,3 bilhão em operações de crédito, que correspondem ao um terço que possuía no capital da emissora de cartões. Por isso, o Unibanco revisou para baixo a projeção para o crescimento da carteira neste ano. A projeção já havia caído de 20% para 18% e só a Credicard vai retirar 4,5 pontos. O banco espera recuperar parte disso e fechar o ano com crescimento de 15% da carteira. Mas, a venda das participações na Credicard e da Orbitall no valor total de R$ 1,683 bilhão vai garantir um resultado não operacional antes da tributação de R$ 1,421 bilhão para o Unibanco, equivalente a 10,4 vezes o preço contábil e a 17,1 vezes o o lucro. "Foi um bom negócio para quem vendeu e para quem comprou", disse Travaglia. Os recursos serão utilizados para amortizar o ágio pago em aquisições feitas pelo Unibanco. Mesmo amortizando um montante de ágio equivalente aos R$ 900 milhões pagos na compra do Bandeirantes, disse Travaglia, o Unibanco ainda teria um ganho adicional da aplicação do caixa de R$ 284 milhões e um ganho de R$ 95 milhões com o fim da despesa de amortização do ágio. Esses valores compensam os R$ 112 milhões de perda de equivalência patrimonial e R$ 129 milhões de efeito fiscal. "O efeito adicional no resultado de 2005 será de R$ 138 milhões", calculou Travaglia, igual a 1,5% de retorno.