Título: Ganho dos bancos cresce 16% em nove meses e atinge R$ 6,9 bilhões
Autor: Maria Christina Carvalho
Fonte: Valor Econômico, 12/11/2004, Finanças, p. C2

Receitas de crédito e de serviços maiores e despesas de provisões menores mantiveram em alta o lucro dos bancos nos primeiros nove meses do ano. Os quatro grandes bancos privados que já divulgaram balanço de nove meses exibem um lucro líquido consolidado de R$ 6,9 bilhões, 16,9% superior aos R$ 5,9 bilhões de igual período de 2003. Se o Banespa registrou praticamente o mesmo resultado, o aumento chegou a 25% no caso do Bradesco, cujo lucro atingiu a casa de R$ 2 bilhões, passando pelos 19% do Itaú, que foi a R$ 2,7 bilhões, e do Unibanco, que ontem divulgou lucro líquido de R$ 908 milhões. Para o o presidente da Austin Rating, Erivelto Rodrigues, os bancos terão um quarto trimestre ainda melhor: "A taxa básica de juros voltou a subir e os bancos estão expandindo a carteira de crédito de modo vigoroso. Ainda há espaço para crescer". Mas, mesmo quando o juro recuou, como no início do ano, refletido nos balanços de nove meses que estão sendo divulgados, os resultado são vistosos. Segundo o especialista, "mesmo quando a taxa básica cai, o spread bancário brasileiro continua sendo um dos maiores do mundo". Rodrigues ponderou, também, que os bancos brasileiros melhoraram a eficiência. A taxa de eficiência - medida pela relação entre despesas e receitas - melhorou de 57% para 54,2%. Além disso, deram mais crédito, ampliando especialmente as carteiras de pessoas físicas e de pequenas e médias empresas - segmentos de negócios em que o spread bancário é maior. A carteira de crédito dos quatro bancos aumentou 17,2% dos R$ 122,6 bilhões de setembro de 2003 para R$ 143,7 bilhões em setembro passado. Enquanto isso, a receita com operações de crédito desses bancos teve uma expansão de 14,2%, de R$ 21,2 bilhões para R$ 24,2 bilhões no mesmo período. Com a melhoria do nível de atividades e recuperação da economia, a inadimplência diminuiu, permitindo aos bancos reverter as elevadas provisões feitas em anos anteriores. Rodrigues lembrou que, antes das eleições de 2002, os bancos reforçaram as provisões. "A gordura está sendo usada agora para engordar os resultados", afirmou. As despesas com provisões foram reduzidas em 26,3% nos quatro grandes bancos, passando de R$ 4,6 bilhões para R$ 3,4 bilhões, entre os nove primeiros meses de 2003 e os nove deste ano.