Título: Em crise, setor automobilístico sofre para ajustar atual produção mundial
Autor: Marli Olmos
Fonte: Valor Econômico, 07/12/2005, Empresas &, p. B8
A indústria automobilística, um setor que se consagrou como grande empregador e com peso significativo em qualquer economia do planeta, sofre hoje com a necessidade de fazer profundos ajustes estruturais para se adequar a um novo cenário. Estudo da consultoria PricewaterhouseCoopers indica que para ajustar a capacidade de produção às necessidades atuais de consumo, as montadoras teriam que fechar um total de 35 fábricas em todo o mundo. Somente com esse corte conseguiriam, segundo os analistas da Price, amortizar os custos de produção, que hoje tanto pressionam as montadoras das regiões desenvolvidas, principalmente nos Estados Unidos. "É hora de apertar os cintos", afirma o diretor da consultoria, Marcos Almeida. Segundo o consultor, todos os países grandes produtores de veículos dependem hoje da exportação. Haverá, segundo ele, aumento de produção, como também de capacidade. "A questão é saber quem serão os ganhadores e os perdedores daqui para a frente", afirma. A ociosidade sufoca o setor. Todas as fábricas de veículos do mundo conseguem juntas alcançar a fabricação anual de 77 milhões de veículos. Mas só há consumidores para pouco mais de 60 milhões. Com o avanço de mercados emergentes, a PricewaterhouseCoopers estima que até 2010 haverá um acréscimo de cerca de 10 milhões de veículos tanto na capacidade como também na demanda em todo o mundo. Os países asiáticos deverão ser responsáveis por pelo menos a metade dessa produção adicional, sendo que a China, sozinha, arcará com 33% desse total. A América do Sul deverá ficar com 6% desse incremento, segundo os cálculos dos consultores. A Índia deverá ser responsável por 7% do crescimento. Enquanto isso, as multinacionais devem intensificar o movimento, já em andamento, de deslocar as fábricas de veículos dos países desenvolvidos, com maior custo de produção, para os emergentes. Almeida lembra que as apostas estão bem definidas. Enquanto os japoneses intensificam os esforços para roubar dos fabricantes americanos o maior mercado do mundo, os Estados Unidos, as multinacionais do setor que estão na Europa vislumbram possibilidades de expansão nos países emergentes. Há muitas possibilidades. Hoje, na Índia, um país que começa a expandir a indústria automobilística, somente 14,5% da população tem automóvel. "Mas o peso da indústria automobilística é alto; por isso, o custo de saída desse setor em qualquer região também é muito alto, principalmente levando em conta o aspecto social", destaca Almeida. O consultor lembra o movimento "para o sul de Detroit" que começou a se intensificar nos Estados Unidos. Os asiáticos já instalaram as suas fábricas longe do centro de maiores custos dos EUA, atraídos por incentivos fiscais. "Essa situação coloca o Brasil sob pressão num momento de tão alta competitividade entre os emergentes", afirma o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb. "Há uma necessidade de um setor que não vai bem de buscar consumidores para poder pagar as novas tecnologias e os aumento de custos. (MO)