Título: Montadoras mudam avaliação e estimam recordes para 2006
Autor: Marli Olmos
Fonte: Valor Econômico, 07/12/2005, Empresas &, p. B8

Veículos Nem mesmo as exportações devem cair, a despeito das queixas em relação à variação cambial

A indústria automobilística se prepara para bater novos recordes em 2006. A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e queda dos juros leva os fabricantes de veículos a preverem um aumento de vendas de 7,1% no mercado doméstico e um avanço de 4,5% na produção, que, segundo essas previsões, chegará a 2,55 milhões no próximo ano. Em 2005, a produção deve ficar em 2,44 milhões. O otimismo começou a tomar conta do setor com mais força no quarto trimestre. Novembro foi o melhor mês do ano, com a produção de 213,5 mil veículos, 12% a mais do que outubro e 5,8% acima de novembro de 2004, uma época em que o setor já desfrutava de bom desempenho. Com o ritmo acelerado das linhas de montagem, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já fechou as previsões para este ano e também para o próximo. Os brasileiros estarão ainda mais confiantes para financiar veículos em 2006, segundo essas estimativas. A Anfavea calcula a venda de 1,82 milhão de unidades no país no próximo ano, o que representa crescimento de 7,1%, avanço semelhante o deste ano, quando os volumes de vendas ficarão 7,7% acima do total de 2004. "Vemos 2006 com otimismo e com ritmo que seguirá a tendência do último trimestre de 2004", afirma o presidente da Anfavea, Rogelio Golfarb. O dirigente diz que a força do setor se sustenta nos carros de passeio comerciais leves. O mesmo não acontece no segmento de caminhões, que registram desaceleração, como outros bens de capital. A previsão para as exportações provocou uma surpresa ontem, na reunião que a Anfavea marcou com a imprensa para detalhar os resultados do setor. Depois de diversos pronunciamentos de presidentes de grandes montadoras, há poucas semanas, prevendo quedas de volumes das vendas externas de 2006, a entidade que representa o setor apontou ontem a expectativa de uma receita maior em 2006. Fiat , General Motors e Volkswagen , os maiores exportadores de automóveis, estão contando com retrações que variam de 13% a até 30% nos volumes vendidos em outros países em 2006. Ontem a Anfavea apresentou a previsão de aumento de receita com exportações. O faturamento com vendas externas, que já havia superado os cálculos mais de uma vez, chegará a US$ 11,2 bilhões, um avanço de 33,6% em relação a 2004. Para 2006, a entidade estima US$ 11,5 bilhões. Golfarb explica que as divisas podem engrossar em razão da expectativa de aumento de vendas externas de caminhões, um produto bem mais caro que o automóvel. O clima de comemorações com que a indústria automobilística encerra este ano está bem mais festivo do que em ocasiões anteriores. A mesma Anfavea fechou 2004 traçando crescimentos mais modestos do que os números confirmam agora. A expectativa inicial era elevar a produção em 5,4% e as exportações em 7%. O resultado real indica avanços de 10,4% e 33,6% nas vendas externas. Poucas vezes a indústria automobilística deixou passar uma reunião com a imprensa sem se queixar dos aumentos de custos com matérias-primas ou carga tributária. A exceção ontem ficou por conta da queixa contra a variação cambial, apesar das previsões otimistas.