Título: Estudo "tira" país do topo no ranking do spread
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 07/12/2005, Finanças, p. C8

Pesquisadores do Banco Central desenvolveram duas metodologias alternativas que mostram que, embora elevados, os "spreads" das operações de crédito não são as mais elevadas do mundo. Por esses critérios, o Brasil fica entre a 10ª e a 14ª posição, mas o "spread" em termos absolutos ainda é elevado. "As comparações internacionais geralmente medem coisas diferentes, e levam o Brasil a posições desconfortáveis", disse a técnica do Departamento de Pesquisa Econômica do BC, Ana Carla Abrão Costa. Já foram divulgados levantamentos em que o país é o campeão mundial do spread bancário. Gráficos com o ranking alternativo do spread foram apresentados a uma pequena platéia no auditório do BC. Os dados completos só devem ser divulgados nos próximos dias. Ana Carla citou pesquisas, algumas a partir de dados coletados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), em que o país aparece entre a segunda e a terceira colocação entre os países com maior spread bancário do mundo. Segundo a pesquisadora, esses levantamentos misturam, com freqüência, critérios diferentes. O custo de captação, por exemplo, é hora representado pela taxa básica, ora por operações de captação. Há diferenças também no número de linhas de crédito utilizadas nas comparações - no Brasil, é feita a média dos empréstimos com recursos livres, mas em outros países é usado apenas um número reduzido de linhas de crédito. A pesquisa do BC procura eliminar essas distorções. "O que estamos mostrando é que é muito complicado construir um ranking internacional definitivo sobre o assunto", disse Ana Carla.