Título: Produção industrial fica estável em outubro
Autor: Chico Santos
Fonte: Valor Econômico, 08/12/2005, Brasil, p. A3
Conjuntura Economistas estão prevendo um crescimento entre 2% e 3,2% para o setor em novembro
A produção industrial de outubro, já descontados os efeitos sazonais, ficou estável (0,1%) em relação a setembro, mês que havia encerrado com queda de 2,3% sobre agosto. Ainda que o número não seja animador, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) leu nos resultados positivos das categorias de bens de consumo duráveis (2,8%) e de semi e não-duráveis (0,5%) uma abertura para a retomada do crescimento no fim do ano, especialmente em novembro. "A sinalização positiva veio de duráveis e de não-duráveis e isso sugere que os estoques tenham chegado a um ponto de equilíbrio, com perspectiva de retomada da produção no fim do ano", analisou a economista Isabella Nunes Pereira, gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE. Embora o comportamento histórico seja de produção aquecida em outubro, para atender a demanda do fim do ano, Isabela avalia que o movimento de estoques pode ter deslocado a curva da produção. Mas ressalva que tal percepção, reforçada pelos bons resultados das indústrias automobilística e de papelão de novembro, ficará em suspense até que os números oficiais de novembro confirmem se os estoques realmente chegaram perto do fim ou se a demanda do fim do ano será realmente atendida por produtos que já estavam previamente fabricados. "Outubro deixou para novembro a decisão sobre o quarto trimestre", disse Isabella, relevando o mês de dezembro quando, no seu entendimento, já será tarde. Ela também relativizou a importância do comportamento histórico da produção para definir o comportamento do último trimestre. "A evolução tecnológica tem feito com que o tempo entre a demanda do comércio e o atendimento pela indústria se encurte", justificou. Economistas que acompanham o nível de atividade projetam - com base em indicadores já divulgados da indústria - uma alta entre 2% e 3,2% para o setor em novembro na comparação com outubro. Para Bráulio Borges, da LCA Consultores, os indicadores antecedentes apontam para recuperação da indústria nos próximos dois meses. A produção de veículos avançou 12,3% em novembro sobre outubro, a de papelão ondulado ficou 1,5% maior, enquanto o quantum importado de matérias-primas (sem combustíveis) e o quantum exportado de manufaturados cresceram 0,4% e 12,9%. Em novembro, os bens duráveis tendem a apresentar resultados melhores,já que em outubro foram afetados pela menor produção de veículos, devido à paralisação na Volkswagen. "A produção está muito volátil, mas aposto em alta de 2% em novembro", diz Lygia Telles, da Rosenberg e Associados. Para o ano, a estimativa é de 3%. De acordo com o IBGE, o resultado positivo da indústria de bens duráveis, sempre na comparação com o mês imediatamente anterior, veio após três meses consecutivos de queda, nos quais foi acumulada redução de 17,3% no ritmo de produção. Ou seja, o crescimento foi em parte influenciado por uma base de comparação muito baixa, detalhe relevante, do ponto de vista negativo, que não foi esquecido pela técnica do IBGE na sua leitura dos resultados da PIM. Ao mesmo tempo, Isabella observou também que o número positivo de apenas 0,5% da produção de bens semiduráveis e não-duráveis poderia ter sido melhor se não fosse o surto de febre aftosa. Segundo ela, a produção de carnes industrializadas foi o principal impacto negativo em alimentos elaborados, que têm peso de 45% nas indústrias de semi e não-duráveis. Em resumo, o suspense sobre o comportamento da indústria no último trimestre, decisivo para a definição da taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), ficou para o mês que acaba de terminar e cujo resultado o IBGE só divulga no começo de janeiro. Mas a leitura dos números aponta alguns aspectos pouco animadores. A estabilidade ligeiramente positiva do resultado com ajuste sazonal não foi suficiente para reverter a média móvel trimestral, principal indicador de tendência para esse tipo de dado estatístico. O trimestre encerrado em setembro apontava um número negativo de 1,2%. Com a saída de julho e a entrada de outubro, o trimestre (agosto-outubro) fechou com resultado negativo de 0,5%. A indústria de bens de capital foi a única com desempenho negativo no mês a mês (retração de 3,9%). Na comparação com outubro de 2004, o IBGE registrou crescimento de 0,4%, graças à indústria extrativa mineral (puxada por minério de ferro e petróleo) que cresceu 10,8%. A indústria de transformação mesmo, caiu 0,2%. Como na segunda metade de 2004 a produção industrial vinha crescendo, a saída de meses bons e a entrada desses ruins está derrubando o desempenho acumulado em 12 meses. A taxa, que era de 6,7% no fim de junho, caiu para 4,1% em outubro. No período de janeiro a outubro, em relação ao mesmo período do ano passado, a produção industrial cresceu 3,4%. (Colaborou Raquel Salgado)