Título: Bancos prevêem que o crédito vai crescer menos no próximo ano
Autor: Maria Christina Carvalho
Fonte: Valor Econômico, 08/12/2005, Finanças, p. C2
O crédito deve crescer menos em 2006, prevêem os bancos. O Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco divulgou, ontem, que o estoque total de crédito do mercado deve crescer 16,9% em 2006 em comparação com 19% neste ano. Até outubro, o crédito cresceu 17,7% para R$ 575,62 bilhões, segundo dados do Banco Central (BC). Entre os motivos citados estão o fato de as carteiras terem crescido muito neste ano e a desaceleração da demanda em algumas linhas, como o crédito consignado. Os créditos com recursos livres, que montavam a R$ 385,289 bilhões em outubro, acumulando 20,9% no ano, devem, segundo o estudo, fechar o período com crescimento de 26,1% e, 2006, com 20,8%. No crédito para pessoa jurídica não haverá tanta variação pois a expectativa da área de pesquisa do Bradesco é de que essa carteira vai crescer 16% no próximo ano, praticamente o mesmo do que os 15,9% previstos para este ano. Já o crédito para pessoa física é que vai desacelerar, com 26% no próximo ano em comparação com 39,3% neste ano. A projeção do Departamento de Pesquisas está em linha com o esperado pelo banco para sua própria carteira. O presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, afirmou esperar um aumento de 20% a 25% na carteira de crédito no próximo ano, ao anunciar o balanço de nove meses. Nos doze meses terminados em setembro, a carteira total do banco cresceu 25,5% para R$ 75,244 bilhões; e só as operações com pessoas físicas aumentaram 63,6%. O presidente do Itaú, Roberto Setubal, citou números semelhantes nesta semana, em entrevista após apresentação à Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec). Setubal disse que o crédito deve crescer de 20% a 25% em 2006, "mais perto da faixa superior no caso da pessoa física". Neste ano, a carteira do Itaú, excluindo avais e fianças, cresceu 17,2% até setembro, para R$ 55,573 bilhões. Só as operações com pessoas físicas saltaram 40%. O BC já havia divulgado a previsão de que o crédito consignado vai desacelerar pela redução da demanda entre aposentados e pensionistas. A Previdência Social divulgou, ontem, que a carteira de crédito consignado nesse segmento chegou a R$ 10,9 bilhões, no início do mês, tomados por 4,4 milhões de aposentados e pensionistas, ou 23% do universo total. Os pesquisadores do Bradesco detectaram a redução da média diária de concessões de consignado, do pico de R$ 104,9 milhões em abril para R$ 86,2 milhões em setembro.