Título: Varig teve oferta de US$ 500 milhões
Autor: Vanessa Adachi
Fonte: Valor Econômico, 14/12/2005, Brasil, p. A3
O fundo americano MatlinPatterson apresentou no início da semana passada uma proposta de US$ 500 milhões em dinheiro pela Varig. Segundo o Valor apurou, a proposta foi vista pela Fundação Ruben Berta, por assessores jurídicos e financeiros da Varig e também pela Deloitte, administradora judicial da companhia aérea. Mesmo assim, a Fundação optou por fechar na madrugada da última segunda-feira a transferência do controle do grupo Varig a Nelson Tanure por US$ 112 milhões pagos em dez anos. A proposta do Matlin previa três fases. No primeiro momento, o fundo estava disposto a desembolsar US$ 77 milhões à vista para ficar com o controle das subsidiárias VEM e VarigLog. Pagaria, inclusive, a multa de US$ 12 milhões à TAP. A penalidade ficou estabelecida no contrato que transferiu as duas subsidiárias à TAP no mês passado, caso o negócio viesse a ser desfeito. Pelo mesmo contrato, a TAP e seus parceiros tinham o direito de igualar uma proposta melhor que fosse feita por VEM e VarigLog. Se o Matlin conseguisse o controle de ambas, colocaria em marcha as outras duas fases do seu plano. A segunda etapa previa o desconto imediato de US$ 100 milhões de recebíveis de cartão de crédito de passagens já vendidas. A terceira parte dependia da aprovação da assembléia de credores da Varig, que precisariam dar o seu aval à entrada do fundo - dentro dos moldes previstos no plano de recuperação elaborado pelo banco UBS, pela Lufthansa Consulting e pelo escritório de advocacia de Sergio Bermudes, em setembro. Nessa terceira fase, o fundo estaria disposto a injetar US$ 200 milhões em dinheiro na Varig e oferecia outros US$ 100 milhões imediatamente aos credores. Em relação às subsidiárias VarigLog e VEM, a proposta do Matlin seria melhor do que a da Docas Investimentos, de Tanure, segundo o Valor ouviu de duas fontes envolvidas no processo, embora a Docas tenha oferecido US$ 139 milhões e o fundo, US$ 77 milhões. "A proposta de Tanure tinha tantas condicionantes que o valor efetivo facilmente pode cair abaixo dos US$ 77 milhões. Já a proposta do Matlin era a entrega de um cheque, sem qualquer condição", disse uma fonte. "A Docas não apresentou carta de banco de primeira linha atestando a existência dos recursos para fazer a compra das subsidiárias", disse outra fonte. Por conta disso, o conselho de administração da Varig, reunido na segunda-feira, não quis aprovar a proposta da Docas pela VEM e pela VarigLog como a melhor. Sob pressão, o conselho teria transferido a responsabilidade da escolha para os curadores da fundação, que já haviam acertado com Tanure a transferência de todo o grupo. Um obstáculo à entrada do fundo americano seria a restrição à venda de controle de companhia aérea para estrangeiros.