Título: CPI dos Bingos adia relatório sobre CEF e GTech
Autor: Juliano Basile
Fonte: Valor Econômico, 15/12/2005, Política, p. A12

O relator da CPI dos Bingos, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), decidiu adiar a apresentação do relatório parcial sobre as denúncias de corrupção em torno da renovação de contrato da GTech com a Caixa Econômica Federal (CEF). Previsto para ser lido na sessão de ontem, o texto foi feito às pressas e, com a possibilidade de haver algum pedido de vista que adiasse a votação do documento para 2006, Garibaldi e o presidente da comissão, Efraim Morais (PFL-PB), decidiram apresentar o trabalho depois do fim do recesso parlamentar. Acima do pedido de vista, há uma questão estratégica para o adiamento. O senador Tião Viana (PT-AC) já deixou clara a intenção de pedir vista do relatório parcial. Com o documento em mãos, certamente chegarão cópias à CEF, à GTech e ao governo. Os senadores não querem ter o risco de receberem críticas ao texto durante o recesso parlamentar. Longe de Brasília e dos holofotes, dificilmente conseguiriam contra-argumentar.O relatório será apresentado e votado depois do fim do recesso parlamentar. Provavelmente, na primeira semana após as férias. "Tivemos de correr contra o tempo para fechar o relatório. Fiquei aliviado quando o presidente me pediu para aguardar até o próximo ano, pois poderei consolidar melhor o relatório", diz Garibaldi. "E o pedido de vista poderia ficar muito prolongado", completa. O relator não definiu ainda se apresentará novos relatórios parciais. Garibaldi tem receio de que o PT consiga impugnar novos documentos sob alegação de estarem fora do foco da investigação original da CPI. A preocupação vale para as denúncias de corrupção em Ribeirão Preto (SP), de envio de R$ 3 milhões de Cuba para a campanha do PT e para o caso da morte do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel. "Vamos usar informações do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União no relatório, acrescidos dos resultados das nossas investigações", diz. O senador avisou que fará sugestão ao MP para indiciar diversas pessoas. A questão do assassinato do prefeito de Campinas (SP), Toninho do PT, não deverá ser abordada nem no relatório final. "Não conseguimos aprofundar nas investigações", justifica Garibaldi. O posicionamento poderá mudar caso algum depoimento lhe dê maiores possibilidades de investigação. O relator tem reclamado da demora do sistema financeiro em fornecer as informações das quebras de sigilo determinadas pela comissão. "Ainda não tenho as quebras da GTech, por exemplo", protesta. A falta de informações não deverá evitar a apresentação do relatório. "Dá para chegarmos a conclusões sem esses dados. Mas eles seriam muito importantes. Ainda aguardo os dados", afirma. A CPI realizou ontem sua última reunião (administrativa) antes do recesso. Os senadores só voltarão a se reunir em 2006. Enquanto isso, os técnicos prosseguirão com a análise dos documentos.