Título: Vice-presidente da CNBB depõe em favor de Mentor
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 30/11/2005, Política, p. A8

O vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), bispo dom Antônio Celso de Queirós, arrolado como testemunha de defesa em processo no Conselho de Ética da Câmara, defendeu ontem o deputado José Mentor (PT-SP) e disse que estranharia alguma atitude aética do parlamentar. O bispo disse conhecer o deputado há cerca de 30 anos. "Ele é uma pessoa íntegra, um cidadão correto, um pai de família, e não escondo de ninguém que votei nele para vereador e deputado federal. Oxalá houvesse mais gente como ele", disse o bispo. Mentor é acusado de ter recebido, por intermédio de seu escritório de advocacia, R$ 120 mil da empresa 2S Participações, do empresário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza. Essa acusação, para o bispo, não é crível: "Uma pessoa que sempre trabalhou de graça pelo povo pobre não iria se sujar por uns mil reais". Em sua defesa, Mentor já disse que o repasse foi feito pelo Escritório Tolentino, Melo & Associados, por conta da elaboração de pareceres jurídicos por parte da banca de advocacia da qual é sócio. O relator do processo de José Mentor é o deputado Edmar Moreira (PFL-MG). O Conselho de Ética deverá ouvir ainda hoje o motorista Célio Marques Siqueira, assessor do deputado Wanderval Santos (PL-SP) apontado como sacador de R$ 150 mil no Banco Rural. Ele foi arrolado como testemunha no processo contra Wanderval pelo relator, deputado Chico Alencar (P-SOL-RJ). Foi adiado para hoje o depoimento do ex-tesoureiro do PL, Jacinto Lamas, previsto inicialmente para ontem no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Lamas foi convidado pelo deputado Chico Alencar. Na quebra de sigilo das contas de Marcos Valério de Souza no Banco Rural, Wanderval aparece como beneficiário de R$ 150 mil de um saque no valor total de R$ 350 mil feito por Simone Vasconcelos, diretora financeira de uma das agências de publicidade do empresário. A partir das 13h30, o Conselho ouve outra testemunha chamada por Alencar: o assessor de Wanderval, Célio Marques Siqueira.