Título: Relator do Orçamento deve propor reajuste para R$ 340
Autor: Raquel Salgado
Fonte: Valor Econômico, 30/11/2005, Política, p. A9

O relator do projeto de Orçamento da União para 2006, deputado Carlito Merss (PT-SC), disse ontem que tende a fixar em R$ 340 o salário mínimo a ser considerado na revisão dos valores da proposta orçamentária encaminhada pelo Executivo. Segundo ele, isso vai exigir R$ 2,972 bilhões a mais de receita, para cobrir o impacto que provocaria nas despesas. Atualmente, o mínimo está em R$ 300. A proposta orçamentária original, encaminhada em agosto pelo Executivo, é compatível com R$ 321 a partir de maio de 2006. Com base na reestimativa de receita, Carlito Merss pretende, no entanto, atribuir um valor maior ao salário mínimo. Essa é, segundo ele, a sua prioridade no que diz respeito à alocação dos recursos que resultarem da reestimativa. A nova previsão de arrecadação não foi definida ainda. Mas depois de diversas reuniões com consultores da Câmara e com técnicos do Ministério da Fazenda, Carlito Merss acredita que ordem de grandeza do acréscimo na receita primária (não financeira) será de R$ 10 bilhões. É daí que ele vai tirar o necessário para acomodar o impacto do reajuste do mínimo nas despesas. A Central Única dos Trabalhadores reivindica que o mínimo suba para R$ 400 e, em função disso, promoveu uma manifestação ontem, em Brasília (ver matéria nesta página). O problema, segundo o relator do Orçamento, é que um reajuste dessa magnitude teria um impacto de R$ 12,46 bilhões nos gastos da União no próximo ano.