Título: Sindicalistas pressionam por mínimo de R$ 400
Autor: Raquel Salgado
Fonte: Valor Econômico, 30/11/2005, Política, p. A9
Os milhares de trabalhadores, aposentados e desempregados que se encontram desde ontem na Esplanada dos Ministérios reivindicam um salário mínimo de R$ 400 no próximo ano, clamam por mudanças na condução da política econômica do governo, mas não abrem mão de apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa de 2006. O aposentado Alcides Azevedo passou quinze horas dentro de um ônibus e mais quatro caminhando para se unir a outros manifestantes, vindos de todas as partes do país e cobrar de Lula, o que prometeu na campanha presidencial. "Me sinto traído. Se ele não poderia resolver o problema do mínimo e da aposentadoria, por que prometeu mundos e fundos?", questiona. Para o ex-trabalhador do setor de vidro, a reivindicação de aumento do mínimo de R$ 300 para R$ 400 é "uma utopia e coisa de sindicalista". "Se chegarmos em R$ 350 já estará de bom tamanho", avalia. Ainda assim, ele votará em Lula no ano que vem. "É o representante dos trabalhadores, não há outra opção". A marcha da Central Única dos Trabalhadores (CUT) partiu de Candangolândia, cidade-satélite a 15 quilômetros de Brasília e contou, segundo a entidade, com cerca de 7 mil participantes. A trabalhadora rural Maria de Souza Oliveira, de 58 anos, moradora de um barraco e que vive apenas com uma cesta básica, viajou durante cinco horas para chegar à cidade-satélite. Lauro de Lima, 68 anos, levou dois dias viajando desde Pernambuco. A Força Sindical, assim como a Social Democracia Sindical (SDS) e a Central Geral dos Trabalhadores (CGT), optaram por uma carreata. Foram cerca de 200 carros e por volta de 600 manifestantes. A polícia estima que ao total 2 mil pessoas estiveram reunidas na praça da Esplanada dos Ministérios. Essa foi a Segunda Marcha Pelo Salário Mínimo. A costureira aposentada Hilda da Conceição, de 68 anos, disse que está decepcionada com o governo, mas não com o presidente. "Minha aposentadoria está desvinculada do salário mínimo, faz tempo que ela não aumenta", reclama. Hilda conta que quando se aposentou, em 1997, ela recebia dez salários mínimos. Hoje recebe sete - "Acho que o governo poderia estar fazendo muito mais". Para os dirigentes sindicais a marcha só terminou quase às 20h, após uma hora de reunião com os ministros do Trabalho, Luiz Marinho; Casa Civil, Dilma Roussef; do Planejamento, Paulo Bernardo e o secretário-executivo da Fazenda, Murilo Portugal, que substitui o ministro Antonio Palocci. Os sindicalistas voltaram para seus Estados sem ter o que comemorar. Marinho apenas prometeu que irá levar a proposta para Lula e que entre os dias 15 e 20 de dezembro haverá uma nova reunião com as centrais, desta vez com a presença de Lula, para a definição do novo mínimo. Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical saiu insatisfeito e disse que a negociação não andou nem um centímetro. João Felício, presidente da CUT, disse que a proposta de R$ 321 prevista no Orçamento é inaceitável. Hoje, as centrais reúnem-se com os líderes do Congresso, da Câmara e de alguns partidos para pressionar pelo reajuste e pela correção da tabela do Imposto de Renda em 13%. "Vamos atrás de quem vota o Orçamento", disse Paulinho.