Título: Ceará, Paraná e SP puxam produção em setembro
Autor: Raquel Salgado
Fonte: Valor Econômico, 17/11/2004, Brasil, p. A2
A produção da indústria brasileira segue em ritmo de retomada e apresentou expansão em setembro na comparação com o mesmo período do ano passado em todas as regiões pesquisadas pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE). Os maiores destaques ficaram com os Estados do Ceará, Paraná e São Paulo, que cresceram, em ordem, 21,3%, 19,2% e 14,6% em relação ao mesmo mês do ano passado. Já no acumulado no ano, lideram Amazonas e São Paulo, ambos com crescimento de 13,5%, bem acima da média nacional, que ficou em 9%.
A produção do Amazonas foi, no ano, impulsionada pelos setores de material eletrônico e comunicações (27,1%) e borracha e plástico (44,5%). Em setembro, a indústria amazônica cresceu 5,9%. Os setores de material eletrônico e equipamentos de comunicações (5,6%) e outros equipamentos de transporte (17,4%) foram as principais influências positivas. O Estado de São Paulo teve o crescimento de 14,6% no mês puxado pelos resultados positivos da indústria de material eletrônico e equipamentos de comunicação, que cresceu 144,6% em setembro frente mesmo período de 2003, além de veículos automotores, com incremento de 25,9% na produção. No entanto, dois setores contribuíram negativamente: refino de petróleo e produção de álcool, com retração de 4,7%, e edição e impressão, com queda de 0,8%. Na previsão do Instituto de Estudos para o desenvolvimento social (Iedi), São Paulo deverá ser destaque da produção industrial este ano, com um crescimento de 11,3%, perdendo apenas para Amazonas (13,4%). Segundo o Iedi, o resultado paulista "por si só assegura variação positiva para a produção industrial brasileira de 4,5%". Mas a expectativa da entidade é de que a indústria vá além e cresça 7% neste ano. Já o Ceará, com a maior alta dentre os Estados na comparação entre os meses de setembro, apresentou bons resultados nos ramos industriais ligados ao consumo doméstico. A principal influência veio do setor têxtil, com alta de 25,6%, seguido de calçados e artigos de couro, com 24,4%, e alimentos e bebidas, com elevação de 9,2%. No terceiro trimestre deste ano, a indústria cearense cresceu 20,5% em relação ao mesmo período de 2003 e acumula alta de 9,9% entre janeiro e setembro. Em contrapartida, algumas regiões tiveram avanço da produção industrial abaixo da média. O pior desempenho ficou com o Rio de Janeiro, cuja produção cresceu apenas 2,9% em relação a setembro de 2003; 2,3% no acumulado deste ano e 1,5% nos últimos doze meses. Em setembro, ao mesmo tempo em que setores como bebidas e minerais não metálicos apresentaram forte alta, 41,7% e 40,6%, respectivamente, houve pressão negativa de metalurgia básica, com queda de 8,3%, e de edição e impressão, com recuo de 10,5%. De acordo com os cálculos do Iedi, os Estados do Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro devem registrar os menores índices de crescimento em 2004. Ainda assim, todos terão taxas positivas. A indústria sairá do vermelho no Ceará, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Enquanto isso, no Amazonas, Pará, Pernambuco, Minas Gerais, Paraná e Goiás, onde já houve crescimento em 2003, a expansão será ainda maior agora.