Título: Funcionários da Skymaster confirmam saques
Autor: Maria Lúcia Delgado
Fonte: Valor Econômico, 04/01/2006, Política, p. A5

A CPI dos Correios aperta o cerco contra a Skymaster, empresa de transporte aéreo suspeita de superfaturamento em contratos firmados com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). A comissão de inquérito ouviu ontem dois funcionários da companhia e o sócio da Cortez Câmbio e Turismo, aparentemente envolvida com a Skymaster em estratégias de envio de dinheiro para o exterior. O motorista da Skymaster, Éder Jouber Ribeiro Cabo Verde, confirmou aos integrantes da CPI a autoria de saques que, somados, chegam a R$ 3,081 milhões. Depoimento posterior, concedido por Reginaldo Régis Menezes Fernandes, chefe do departamento financeiro da empresa, confirmou novos saques. As idas de Reginaldo às agências dos bancos Bradesco e Rural somaram R$ 1,3 milhão. Nenhum dos dois sabe explicar qual o destino dado pelo dinheiro. Nenhum dos dois depoentes conseguiu explicar os motivos dos saques de forma convincente. Reginaldo chegou a dizer aos parlamentares que os saques serviam para o pagamento de fornecedores e dos funcionários da empresa. Mas ele próprio afirmou receber os rendimentos por meio de transferência bancária. Tanto Reginaldo quanto Éder revelaram ter repassado o dinheiro sempre para João Marcos Pozzetti, diretor da empresa. O dinheiro era sempre sacado da conta da própria Skymaster e levado à sede da empresa. "Nenhum dos dois consegue explicar direito. Nem o senhor Pozzetti conseguiu nos explicar de onde vieram os R$ 30 milhões sacados, quando veio aqui. Os depoimentos de hoje reforçam nossa suspeita de que esse dinheiro foi usado para o pagamento de propina. Os saques eram feitos na boca do caixa sem explicação", afirmou o sub-relator de Contratos da CPI, José Eduardo Cardozo (PT-SP). Os R$ 30 milhões foram sacados entre 2000 e 2005. Mas o depoimento mais confuso do dia foi de Carlos Alberto Taveira Cortez, sócio da Cortez Câmbio e Turismo. Protegido por um habeas corpus concedido pela vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie, o empresário recusou-se a responder diversas perguntas. Cortez disse desconhecer que o segurança de sua empresa, Francisco Marques Carioca, fazia saques na agência do Bradesco em Manaus a pedido de um advogados da Skymaster. Carioca fez tal revelação à CPI em depoimento na semana passada. "Mas o serviço dele para a Skymaster era feito durante o dia, no mesmo horário que ele tinha de estar trabalhando na sua empresa", indagou Cardozo. "Fiquei sabendo agora que ele saía de lá. Mas não sei explicar as fugidas dele", respondeu. Perguntado por Sílvio Torres (PSDB-SP) se pretendia demitir Carioca, Cortez recusou-se a responder. Cardozo se irritou. "Acho que Carioca montou um álibi para dizer que fazia esse serviço a pedido do advogado da Skymaster quando, na verdade, ao que parece, ele fazia os saques a pedido do senhor mesmo", disse. A suspeita da CPI é de que a Cortez Câmbio e Turismo foi usada pela Skymaster para remeter dinheiro para o exterior. O advogados da Skymaster que pedia o serviço a Carioca, Marcos Valerius Pinto Pinheiro de Macedo, teria de prestar depoimento ontem mas se recusou a comparecer.