Título: Razões diferentes para um 2006 melhor
Autor: Chico Santos
Fonte: Valor Econômico, 04/01/2006, Especial, p. A10
Conjuntura Consenso entre economistas de orientações distintas acaba após a importância do controle da inflação
Duas escolas tradicionais e dois pensamentos diametralmente opostos. Os economistas Edward Amadeo e João Sabóia concordam que manter a inflação sob controle é importante para o país, mas aí praticamente termina o consenso sobre a condução macroeconômica do país. Amadeo, ex-ministro do Trabalho no governo anterior e hoje consultor independente, é um representante do pensamento econômico gerado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), muito influente em Brasília desde os anos 90. Sabóia é o atual diretor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma escola de pensamento tradicionalmente crítica da ortodoxia monetária dominante no governo. Em entrevistas ao Valor, os dois avaliaram que 2006 será bem melhor que 2005, mas por razões diferentes. Para Amadeo, o país vai colher os resultados dos ajustes que vêm sendo feitos desde o governo FHC, com a ressalta de que o crescimento poderia ser maior. Sabóia entende que o cenário político-eleitoral será dominante e a reeleição levará o governo a um comportamento expansionista momentâneo. Ele considera que a política macroeconômica é focada exclusivamente na meta de inflação e que aí se encontra a raiz do baixo crescimento, inclusive o de 2005. "Essa política condena o futuro do país." Para Amadeo as causas do baixo crescimento de 2005 são duas: a demora na implementação de medidas estruturais e fiscais que auxiliem a política monetária e, no plano monetário, uma taxa de juros de dois a três pontos percentuais acima do necessário por conta de dúvidas que perduram sobre as intenções do governo. Para ele, se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tivesse mantido Armínio Fraga no do Banco Central "esses dois a três pontos estariam hoje no bolso".
Abaixo, os principais trechos das entrevistas ao Valor.