Título: Valor de mercado da VarigLog e da VEM pode chegar a US$ 300 milhões
Autor: Janaina Vilella e Cláudia Schüffner
Fonte: Valor Econômico, 12/12/2005, Brasil, p. A2
A Deloitte, administradora judicial do processo de recuperação da Varig, calculou em aproximadamente US$ 300 milhões o valor de mercado da VarigLog (logística) e da VEM (manutenção), subsidiárias da companhia aérea. O valor - a ser divulgado oficialmente hoje - poderá servir como referência no processo de venda das empresas. Até o momento, a Aero-LB - que tem como sócios a TAP e os brasileiros Álvaro Gonçalves e Alberto Camões - tem prioridade no negócio, uma vez que já desembolsou US$ 62 milhões pela compra das subsidiárias. Ao serem informados na sexta-feira da estimativa da auditoria, os sindicatos de aeroviários e aeronautas solicitaram ao juiz da 8 Vara Empresarial do Rio, Luiz Roberto Ayoub, a prorrogação do prazo de entrega das propostas. Ayoub, no entanto, indeferiu o pedido, alegando que a decisão da última assembléia de credores, que estabeleceu a data limite para apresentação das ofertas, foi soberana, informou ao Valor um executivo próximo das negociações. O prazo para potenciais investidores apresentarem outras propostas pelas subsidiárias venceu sexta-feira. Especula-se no mercado que a Varig recebeu duas ofertas: uma do fundo americano Matlin Patterson e outra do Grupo Docas, do empresário Nelson Tanure. A proposta do Grupo Docas chegaria a US$ 139 milhões pelas duas empresas, superior à oferta apresentada pelo Matlin, de US$ 77 milhões. Hoje, a Varig comunica formalmente a TAP a proposta vencedora. A estatal portuguesa, por sua vez, tem até o dia 19 para decidir se cobre ou não a oferta. Caso opte por desistir do negócio, a venda será cancelada e os ativos serão transferidos para quem tiver feito a melhor oferta. Pelo contrato, a Aero-LB tem direito a uma multa de US$ 12,5 milhões pela não-conclusão da operação. Uma fonte ligada à Varig, no entanto, disse ao Valor que os credores ainda podem entrar com uma ação na Justiça pedindo a anulação do negócio, caso considerem que as empresas foram vendidas muito abaixo de seu valor de mercado. A apresentação da proposta vencedora está prevista para amanhã, durante a assembléia dos credores. Comenta-se nos corredores da empresa, no entanto, que a Varig irá sugerir o adiamento da reunião para o dia 19. Com isso, os executivos da companhia já teriam em mãos o resultado do julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) do recurso movido pela União contestando o ressarcimento das perdas acumuladas pela Varig com congelamento de tarifas entre os anos 80 e 90. A expectativa dos advogados da empresa é de que a decisão do STJ saia na quarta-feira. O adiamento da assembléia também daria mais tempo aos credores para avaliarem a proposta de reestruturação desenhada pelos novos administradores. O plano prevê inicialmente a troca de parte das dívidas por participações acionárias em quatro Fundos de Investimentos e Participações (FIP). Juntos, os fundos passariam a deter o controle da Varig. Pelo plano, o primeiro fundo ficaria com as quotas da Fundação Ruben Berta (FRB), que teria sua participação reduzida dos atuais 87% para menos de 20%. O segundo concentraria os créditos trabalhistas. O terceiro reuniria os que possuem garantia real e outro fundo para os credores sem garantia. O problema é que os credores não aceitam o fato de a FRB vir a ter uma participação acionária de 20% no fundo e já pensam em rejeitar o plano da Varig, caso ele seja colocado em votação na assembléia de amanhã. A participação dos credores no FIP, pelo plano, deveria ser proporcional aos créditos devidos, o que reduziria muito a participação da FRB no bolo. "A FRB precisa entender que dessa vez não tem jeito. Ela terá que entregar o controle da companhia. Você não pode ter exigências quando está quebrado", disse o representante de um dos maiores credores, que preferiu não se identificar. A juíza da 2 Vara Empresarial do Rio, Márcia Cunha, uma das responsáveis pelo processo de recuperação judicial da Varig, disse ao Valor, que na última reunião que teve com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em outubro, para discutir o encontro de contas do governo com a área, Palocci teria dito que a FRB não tem direito a participar do fundo, já que não tem créditos a receber. "O governo já deixou claro que não faz encontro de contas se a FRB não reduzir sua participação acionária. A FRB tem uma dívida muito maior do que o valor de suas ações. Eu acho que a FRB não tem saída. Ou ela negocia ou ela negocia. Se a Varig falir ela (FRB) acaba", disse a juíza. Procurada, a FRB não retornou as ligações do Valor. Um outro credor de peso da Varig resumiu assim o novo plano dos administradores da aérea. "É péssimo e sem garantias. Mais um factóide da FRB sobre o mesmo tema, que é se manter eternamente no controle. A FRB continua acreditando numa fórmula mágica que vai salvar a Varig sem mudanças ou demissões e parece não perceber que até o governo já perdeu a paciência."