Título: Coréia demonstra interesse em energia e frango
Autor: Sergio Leo
Fonte: Valor Econômico, 17/11/2004, Brasil, p. A6

Interessado em estimular associações entre médias empresas brasileiras e coreanas e em iniciar o mais brevemente possível negociações para um acordo de livre-comércio entre a Coréia e o Mercosul, o presidente coreano, Roh Moo-hyun, patrocinou, durante a visita iniciada ontem ao Brasil, um acordo de cooperação entre os dois países na área de energia. Os empresários coreanos têm grande interesse em participar dos leilões de linhas de transmissão no Brasil, informou a ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, após a cerimônia de assinatura do memorando de entendimento entre os dois países. A visita de Roh Moo-ryun foi acompanhada de assinatura de acordos no setor privado, entre a Vale do Rio Doce e duas empresas coreanas e entre a Petrobras e a coreana SK, interessada na participação conjunta em projetos de exploração de reservas petrolíferas. "O acordo pode dar acesso à tecnologia de refino deles, altamente sofisticada", explicou a ministra. A Vale estendeu um acordo que tem com a coreana Posco para fornecimento de minério de ferro, garantindo um contrato de venda de 103 milhões de toneladas, num total de US$ 2 bilhões em 10 anos. O presidente da Vale, Roger Agnelli, queixou-se da necessidade de mudanças no regime tributário sobre o setor, que obriga um investimento de US$ 2 bilhões consumir, ao final, US$ 2,4 bilhões. O outro acordo da vale, firmado com a LG Nikko, prevê pesquisas e troca de tecnologia em novos materiais. Lula aceitou o convite para visitar a Coréia entre 24 e 27 de maio, e, segundo Dilma Roussef, será acompanhado de uma missão de empresários para explorar parcerias no setor energético. Logo após, uma missão de empresários coreanos visitará o Brasil. O Brasil tem interesse em elaborar projetos conjuntos de fabricação e uso de etanol e de biocombustível. "O álcool combustível é muito importante na parceira entre os dois países, porque a Coréia tem a oitava maior montadora de automóveis do mundo", comentou a ministra, e referência à Hyundai. "A Coréia pode aumentar a vantagem competitiva no setor automobilístico, aproveitando nossa experiência com motores flex-fuel, bicombustível." Em discurso durante um jantar no Itamaraty, o presidente Lula afirmou que pretende iniciar uma negociação entre o Mercosul e a Coréia e que o Brasil pode oferecer um acesso privilegiado do país ao bloco. Lula disse ainda que o Brasil a entrada do país no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O presidente coreano, por sua vez, elogiou o programa Fome Zero e a liderança de Lula no cenário internacional . Ele comparou a situação dos dois países, que conseguiram superar com sucesso suas crises econômicas recentes.