Título: Bancos afirmam que operação foi legal e corriqueira
Autor: Thiago Vitale Jayme
Fonte: Valor Econômico, 06/01/2006, Política, p. A6
O BMG alega que realizou uma operação absolutamente corriqueira no meio bancário, legal e feita às claras. Conforme esclarecimentos do Escritório de Advocacia Sérgio Bermudes, que presta serviços ao banco, pelo menos cinco instituições financeiras de grande porte fizeram operações semelhantes à realizada pela Caixa Econômica Federal (CEF), como o Citibank e o Itaú. Ao BMG, argumentam os advogados da instituição, a operação significou uma capitalização vantajosa, que contribuiu para a liquidez do banco. A Caixa, alega o BMG, teve acesso a parte da carteira do crédito consignado e realizou parte do lucro, o que é "absolutamente normal". Em relação à auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), os advogados do BMG informam que se trata de um procedimento administrativo da União, não cabendo, portanto, manifestações do banco ao longo do processo. O BMG tomou conhecimento da auditoria pela imprensa. O banco reforça que seus dirigentes estão dispostos a contribuir com o trabalho da CPI Mista dos Correios. O presidente do BMG, Ricardo Guimarães, já prestou depoimento à comissão. O banco considera que todos os esclarecimentos foram dados aos parlamentares. Em nota divulgada ontem, a Caixa declara que "está segura de que a compra da carteira de crédito consignado do BMG foi uma operação de mercado, absolutamente legal, muito lucrativa e indispensável à ampliação da sua participação em um segmento novo e muito disputado". A Caixa diz que a operação seguiu os trâmites e normativos internos e observou os aspectos jurídicos. Segundo o banco, a operação tem retorno acima de mercado, rendendo, até agora, R$ 355 milhões. A Caixa distribuiu nota da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) que diz que a operação "conforma-se à prática do mercado amplamente seguida pelos agentes financeiros".