Título: Preços do café devem se manter firmes
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 09/01/2006, Agronegócios, p. B12

Tendências

Apostando em preços firmes para o café no mercado internacional, os exportadores de café verde e de solúvel projetam receita maiores para os embarques que serão efetuados neste ano. "Mesmo com a safra 2006/07 projetada em 43 milhões de toneladas [29% maior que no ciclo anterior, se confirmadas as estimativas], não será possível gerar excedente de estoques suficientes para pressionar os preços", disse Guilherme Braga, diretor-executivo do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). A receita das exportações nacionais de café verde alcançou US$ 2,908 bilhões em 2005, 43,8% mais que no ano anterior. Para 2006, as projeções do Cecafé sinalizam receita de US$ 3,18 bilhões. Em volume, os embarques totalizaram no ano passado 26,109 milhões de sacas no ano passado, 1,3% menos que em 2004. Em 2006, os embarques estão projetados em 27,1 milhões de sacas. Maior produtor e exportador mundial, o Brasil deverá elevar em meio ponto percentual sua participação no mercado internacional. Seus principais concorrentes, Vietnã e Colômbia, deverão ficar com 15,7% e 12,2%, respectivamente. A área de café solúvel também deverá registrar incremento dos embarques neste ano, mas menor por conta das tarifas impostas pela União Européia ao produto brasileiro. No ano passado, as indústrias de solúvel do país exportaram 81,725 mil toneladas, com crescimento de 11% sobre 2004. Em receita, as vendas externas somaram US$ 386,6 milhões, 34,1% mais que no ano anterior, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). A receita com as exportações de café solúvel em 2006 está projetada em US$ 430,3 milhões (11,3% maior que em 2005, se confirmadas as estimativas), com volumes embarcados da ordem de 85,8 mil toneladas (5% acima do ano passado). Nesta semana, as indústrias de solúvel vão bater o martelo sobre o escritório de advocacia que deverá representá-las em um provável processo contra a União Européia na Organização Mundial do Comércio (OMC). Mauro Malta, diretor da Abics, lembrou que as indústrias questionam a tarifa de 9% que foi imposta pela UE ao produto brasileiro por conta do novo Sistema Geral de Preferência (SGP) apresentado pelo bloco. "Não questionamos a imposição de tarifas, mas o fato de a UE não tratar com igualdade os concorrentes do Brasil. É o caso da Colômbia, que ficou isenta da tarifa". (MS)