Título: Deputados do Conselho de Ética refutam críticas
Autor: Maria Lúcia Delgado
Fonte: Valor Econômico, 10/01/2006, Política, p. A6

A primeira reunião, ontem, do Conselho de Ética da Câmara depois dos feriados de fim de ano, foi marcada pelo desabafo dos deputados com as críticas sofridas pelo colegiado por causa da morosidade no andamento dos processo contra os parlamentares acusados de envolvimento com o mensalão. Dentre alvos preferidos dos integrantes do colegiado estavam a imprensa e os presidentes da Câmara, Aldo Rebelo, e do Senado, Renan Calheiros. "O vilão não é o Conselho de Ética. Nós não paramos um minuto de trabalhar. Os relatores levaram trabalho para casa", justificou o presidente do conselho, Ricardo Izar (PTB-SP). A convocação extraordinária tinha como um dos principais motivos dar mais tempo de funcionamento ao conselho, que resolveu entrar em recesso por 20 dias desde o Natal. Maiores defensores da convocação extraordinária do Congresso, os integrantes do conselho chegaram a negar qualquer ingerência na decisão de Aldo e Renan de convocarem os deputados para trabalhar. "Nós queríamos uma auto-convocação não remunerada", afirmou Izar, ao citar uma forma de chamada dos deputados durante as férias que não consta do regimento interno. Seria necessária uma mudança da legislação interna da Casa para atender à solicitação. "O Conselho de Ética virou a Geni. Essa convocação extra perambula pelos corredores do Congresso como se fosse um zumbi", desabafou Edmar Moreira (PFL-MG). "De que adianta nós terminarmos nosso trabalho agora se o plenário não está funcionando? Se os deputados ganhassem por produção, estava todo mundo falido", completou. Grande parte das críticas dos parlamentares era em relação à convocação parcial do Congresso. O plenário só voltará a trabalhar no dia 16 de janeiro. Os prazos do Conselho são ditados pelas sessões do plenário. Essa foi a reclamação da deputada Ângela Guadagnin (PT-SP), que criticou notícias de que estaria segurando o processo contra o deputado José Janene (PP-PR). "Não sou eu que insisto em atrasar. Eu só insisto em cumprir a lei. O deputado Janene foi notificado no último dia de trabalho no plenário e, a partir do dia 16, terá cinco sessões para apresentar defesa escrita", afirmou a deputada. O caso é o mais enrolado de todos por causa da doença do acusado, que está de licença médica. Marcelo Ortiz (PV-SP) fez coro na crítica à imprensa e chegou até a reclamar do salário, ao comparar seus rendimentos aos recebidos pelos juízes. "Teremos de provar para a imprensa que trabalhamos muito. O Judiciário vai receber R$ 24,5 mil esse ano. E nós continuaremos apenas com os R$ 12 mil. E ninguém acredita que recebemos R$ 9,1 mil líqüidos", disse. Nelson Marquezelli (PTB-SP) divide a mesma opinião. "Os parlamentares brasileiros são os que têm os menores rendimentos na América do Sul", afirmou. Apesar de reclamarem da pressão, os deputados do conselho decidiram acelerar os trabalhos. "Vamos dar uma resposta à sociedade. Iremos entregar ao plenário até oito processos ainda na convocação", afirmou Izar. Até o final dessa semana, os relatores dos processos contra o deputado Pedro Corrêa (PP-PE), Professor Luizinho (PT-SP), Roberto Brant (PFL-MG) e Wanderval Santos (PL-SP) entregaram seus relatórios. Até o dia 16, os processos ficarão parados. Só depois do início do trabalho no plenário é que poderá ser contado o prazo de cinco sessões para a votação, no conselho, dos relatórios. Na próxima semana, os processos de João Magno (PT-MG) e João Paulo Cunha (PT-SP) estarão concluídos. Ontem, o relator da CPI, Osmar Serraglio, reuniu-se com Izar. Querem desenvolver um trabalho conjunto para evitar absolvições como a do deputado Romeu Queiroz. (TVJ)