Título: Vale vai explorar mina da Paranapanema
Autor: Francisco Góes e Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 17/11/2004, Empresas, p. B5
Minerais CVRD ofereceu US$ 20 milhões pelo direito de mineração de bauxita em Pitinga, na região Amazônica
A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) anunciou ontem que ganhou uma concorrência internacional para exploração de bauxita na região de Pitinga, na Amazônia, pertencente a holding Paranapanema. O anuncio foi feito pelo presidente da Vale. Roger Agnelli. A Vale disputou com mais cinco empresas e venceu com um lance de US$ 20 milhões, com pagamento em dinheiro, segundo o presidente executivo da Paranapanema, Geraldo Haenel. Agnelli disse que pretende somar as reservas de bauxita de Pitinga às reservas de Paragominas, gerando potencial suficiente para instalar um novo complexo de alumínio na região Norte. Haenel mostrou-se surpreso com o comunicado unilateral feito por Agnelli, pois preparava-se para anunciar o negócio em fato relevante de iniciativa das duas empresas, alegando que ambas têm capital aberto e ações em bolsa. "Estamos discutindo os detalhes finais do negócio com a Vale, inclusive o memorando de entendimentos. Diria que eles foram um pouco precipitados, mas realmente a Vale ficou em primeiro lugar pela sua oferta de preço e vai nos pagar à vista", disse. O executivo contou que a licitação das minas de bauxita de Pitinga, localizadas a 250 quilômetros de Manaus, na cidade de Presidente Figueiredo, começou há quatro meses e na semana passada foram fechadas as propostas. O edital não tinha preço mínimo, mas condições mínimas e a concorrência se resumia a venda dos direitos minerários de bauxita. "Estanho e columbita são nossos", esclareceu o presidente da Paranapanema. Ele não informou o potencial das reservas de bauxita que a Vale ganhou para explorar, mas disse que são expressivas e que resolveu leiloá-las porque o alumínio não é seu foco. "Montar um negócio de alumínio na região demanda uns US$ 400 milhões e este não é nosso negócio". Parte do dinheiro obtido com a venda das reservas de bauxita será usado na Rocha Sã, nova área de exploração de estanho na região. Avançando na área de mineração, a Vale ganhou também licitação internacional promovido pelo governo argentino para pesquisa, avaliação e exploração de potássio nas margens do Rio Colorado, na Província de Neuquén. A brasileira deverá investir US$ 15 milhões para levantar o potencial de produção local, que poderá chegar a até um milhão de toneladas/ano de potássio. Agnelli destacou, quando terminarem as reservas de potássio de Sergipe, onde a Vale explora este mineral, haverá continuidade de produção de potássio na reserva argentina. "O potássio é fundamental para produção de fertilizantes. Atualmente o mercado brasileiro consome 6,3 milhões de toneladas e a Vale participa com 650 mil, devendo expandir para 800 mil toneladas/ano". Segundo seu relato, a mineradora procura reservas de potássio e fosfato não apenas na Argentina, mas na Amazônia e no Peru. Agnelli destacou que esses projetos, aliados ao das minas de carvão de Moatize, onde a Vale também ganhou uma concorrência internacional, comprovam que o foco da companhia é a mineração. "Entendemos que através desses projetos vamos garantir retorno aos acionistas". Tradicionalmente, a pesquisa mineral da Vale era concentrada em cobre e manganês. "Agora abrimos o leque para níquel, potássio, bauxita e carvão". Em 2005, a companhia está reservando US$ 100 milhões para pesquisa mineral no Brasil e no exterior, ante US$ 80 milhões este ano. "Agora voltamos a olhar para a África", disse o presidente da CVRD. O continente, a seu ver é pouco explorado e tem grande potencial de carvão e de energia. No caso do carvão, a Vale está em busca de reservas de classe mundial no Gabão, Angola, África do Sul, Moçambique e Mongólia, além de países em outras regiões, como Canadá e Venezuela. "Todas as grandes mineradoras têm carvão e a Vale tem que ter. Minério de ferro e carvão são como marido e mulher, têm que andar juntos", disse. O plano da mineradora, a partir do projeto de Moçambique, é estar entre as cinco maiores exportadoras de carvão do mundo até 2015. "Para isto, estamos nos preparando para produzir entre 40 a 50 milhões de toneladas/ano de carvão nos próximos dez a onze anos". Para tanto, a Vale computa seus negócios de carvão em joint-venture com os chineses, as reservas de Moçambique, que vão permitir produção de 20 milhões de toneladas/ano, a partir de 2012. Nesta conta entram também as reservas da Venezuela, que estão sendo negociadas com o governo local. Na avaliação de Roger, o projeto de Moçambique poderá abrigar projetos a serem feitos com empresas brasileiras, incluindo Petrobras e Eletrobrás. A vantagem de Moçambique será a de alavancar competitividade da Vale na Ásia, porque otimiza os fretes. "Nossos navios levariam ferro e voltariam com carvão".