Título: Governo analisa aumentar o volume de empréstimos
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 11/01/2006, Finanças, p. C3
Crédito Imobiliário Medidas poderão elevar concessões em 50% este ano
O governo deverá analisar, nos próximos dias, a proposta apresentada pelos bancos e pelo setor da construção civil de aumentar em 50% a contratação de empréstimos imobiliários, em relação aos R$ 4,7 bilhões emprestados em 2005. O diretor de Normas do Banco Central, Sérgio Darcy, disse que, desta vez, as entidades que representam os dois setores fizeram uma sugestão verbal, que será analisada conjuntamente com os ministério da Fazenda e do Planejamento. "Sempre ouvimos a opinião dos setores envolvidos, mas a decisão ainda vamos tomar", disse Darcy. Segundo ele, o espectro de possíveis decisões vai desde a adoção de um aumento de 50% nos desembolsos de empréstimos até a volta da regra original dos financiamentos imobiliários, que determina que 65% dos saldos captados em caderneta de poupança sejam aplicados no setor de habitação. O BC vem ouvindo desde o ano passado as propostas do setor da construção civil, representado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), e dos bancos, representados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Somente no primeiro trimestre de 2005, o Conselho Monetário Nacional (CMN) acolheu integralmente a proposta de aumento dos empréstimos apresentada pelas entidades - na ocasião, teriam de crescer 30% em relação ao mesmo período do ano anterior. Nos trimestres seguintes de 2005, o CMN acabou por estabelecer percentuais mais elevados para o aumento dos financiamentos imobiliários. Mas, devido às condições favoráveis de mercado, em todos os trimestres os bancos acabaram contratando valores mais elevados do que os fixados pelo governo. Desde meados da década de 90 os bancos não emprestam em habitação os valores exigidos para os recursos captados em caderneta de poupança. Naquele período, foram criadas uma série de excepcionalidades para a aplicação dos recursos, como a permissão para que os bancos contabilizassem como empréstimos imobiliários os créditos contra o Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS) - que continuaram a ser considerados mesmo depois de os bancos terem se desfeito desses ativos. Desde 2001, o CMN vem baixando regras para obrigar os bancos a cumprirem, aos poucos, as exigibilidades. Todos os trimestres, o BC, a Fazenda e o Planejamento avaliam a demanda por financiamentos e fixam percentuais mínimos de contratação de financiamentos.