Título: Combustível em queda gera deflação no IGP-M
Autor: Raquel Salgado
Fonte: Valor Econômico, 21/12/2005, Brasil, p. A4

A forte queda nos preços do querosene para motor e dos óleos combustíveis fizeram a inflação no atacado despencar 0,3% na segunda prévia de inflação deste mês. Influenciado por esse recuo, o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) total, que engloba atacado, varejo e construção civil, ficou negativo em 0,06%, resultado bem menor do que o verificado em igual período de novembro: 0,25%. A redução nos preços de alguns combustíveis foi possível devido à baixa do cotação do petróleo no mercado internacional. Somente os itens querosene e óleos combustíveis contribuíram para reduzir o Índice de Preços ao Atacado (IPA) em 0,46 ponto percentual. Se não fosse essa queda, o IPA industrial teria ficado positivo em 0,15%. Para Carlos Thadeu Gomes Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), isso mostra que já existe alguma pressão de alta por conta da alta do real ante o dólar. "Mas é um efeito ainda muito incipiente", diz o economista. Por outro lado, a subida dos preços do álcool etílico (4,8%), por conta da entressafra da cana, foi um ponto de pressão de alta. "E deve seguir assim até maio do próximo ano, fim da entressafra", alerta Gomes Filho. Além do álcool, outro item que começa a pressionar para cima na inflação do atacado são os alimentos industrializados. Nessa última medição, eles apresentaram leve alta de 0,27%. O coordenador da pesquisa de preços da Fundação Getulio Vargas (FGV), responsável pela medição do IGP-M, Salomão Quadros, comenta que os preços de suínos, trigo e arroz em casca também já estão em alta. Os preços agrícolas no atacado cederam 0,03% na segunda prévia de dezembro, após uma alta de 0,44% em novembro. A alta contida do preço dos bovinos (0,78% contra 3,33% do mês anterior) e o aprofundamento da deflação no preço das aves (de 1,58% para 5,9% em dezembro) contribuíram para o resultado dos agrícolas. Mas, esses recuos não devem durar muito mais tempo. "A tendência é que esses preços voltem a subir em breve. Em janeiro, espero um repique agrícola por conta da alta de carnes e do álcool", diz Gomes Filho. O índice de Preços ao Consumidor (IPCA) teve leve alta de 0,38% para 0,4%. Já o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) foi de 0,32% para 0,4%. Para o mês fechado, a expectativa do economista da UFRJ é que o IGP-M fique bem próximo da estabilidade, em 0,02%.