Título: Marcos Valério cobra, na Justiça, dívida de R$ 100 milhões do PT
Autor: Thiago Vitale Jayme
Fonte: Valor Econômico, 21/12/2005, Política, p. A7
O empresário Marcos Valério de Souza quer receber do Partido dos Trabalhadores mais de R$ 100 milhões. O valor corresponde à soma dos empréstimos contratados junto aos bancos mineiros Rural e BMG acrescidos de juros, correção monetária e encargos com impostos (IOF e CPMF). A ação de cobrança foi ajuizada na 11ª Vara Cível do Distrito Federal, na sexta-feira da semana passada, segundo informou ontem a assessoria de imprensa do Valério. Os titulares da dívida, de acordo com a ação, são as empresas SMP&B Comunicação e a Graffiti Participações, que têm Marcos Valério entre os sócios. Os empréstimos nos bancos mineiros, em valores nominais, somam R$ 55,9 milhões e foram contraídos entre 21 de fevereiro de 2003 e outubro de 2004. O valor total da cobrança é de R$ 100.082.166,35. No processo, os advogados do empresário mineiro afirmam que os empréstimos foram feitos a pedido do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares. E argumentam que o próprio ex-tesoureiro assumiu publicamente a utilização desses recursos, nos depoimentos prestados à CPMI dos Correios e também à Procuradoria Geral da República e à Polícia Federal. Valério cobra ainda outros R$ 500 mil do PT, pela parcela de um empréstimo de R$ 2,4 milhões que quitou no BMG. Como avalista do contrato, o empresário honrou a dívida depois que o partido deixou de cumprir o compromisso. Esta ação foi impetrada na 10ªVara Cível, em Brasília, também na sexta-feira da semana passada. O valor nominal da parcela é de R$ 351 mil. A diferença, de R$ 149 mil, diz respeito a juros e correção. Neste caso, Marcos Valério cobra o pagamento em 15 dias. As dívidas já haviam sido cobradas do PT, em agosto, por meio de uma notificação judicial. No entanto, segundo os advogados, o partido não se pronunciou depois de receber a notificação. Nem mesmo para desqualificar Marcos Valério como credor. Em relatório produzido pelos advogados do empresário mineiro, acusado de ser operador do suposto esquema de mensalão no Congresso, os repasses de dinheiro de contas das suas empresas para o partido político foi frequente entre 21 de fevereiro e 1º de outubro de 2004. O maior intervalo entre um repasse e outro foi de apenas 13 dias. O período em que houve maior volume de transferências foi em setembro de 2003, quando foram feitas 25 operações de saque por pessoas indicadas pelo partido, somando R$ 2,5 milhões.