Título: Relatório da CPI dos Correios reafirmará mensalão, diz Serraglio
Autor: Thiago Vitale Jayme
Fonte: Valor Econômico, 21/12/2005, Política, p. A7

O relatório parcial da COMI dos Correios deve reforçar indícios do mensalão e divulgará mais informações a respeito da Visanet, operadora de cartão de crédito do Banco do Brasil que teria adiantado de forma irregular recursos para a DNA, agência de Marcos Valério responsável por sua publicidade à época, segundo adiantou o relator da comissão, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). O relator afirmou que, com tal procedimento, pelo menos R$ 10 milhões foram parar no valerioduto. Já o relator-adjunto, deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), informou que o relatório pretende, além de consolidar as informações já apresentadas, tentar explicar o funcionamento do esquema de corrupção orquestrado por Valério. "A CPI termina o ano dizendo que o mensalão existiu e que é aquilo que o brasileiro acha que ele é", afirmou o sub-relator senador Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA). O deputado tucano Eduardo Paes (RJ), relator-adjunto da CPI dos Correios, reforça a tese e disse que a comissão poderá apresentar evidências de que o "mensalão ? ? pode ser mais abrangente do que o identificado até agora. A conclusão, de "conteúdo político forte" na opinião de ACM Neto, foi possível em virtude do cruzamento de dados de sigilos quebrados pela comissão. Um dos confrontos de informação tem como objeto a Bônus-Banval, corretora que teria sido usada pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza para repassar recursos para "mensaleiros". Seria, de acordo com o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), um "caixa para ajudar amigos do governo". O uso de recursos ilícitos na campanha do senador Eduardo Azeredo (PSDB), na campanha pelo governo de Minas Gerais em 1998, será encaminhado oficialmente à comissão. O tesoureiro tucano Cláudio Mourão confirmou em depoimento à CPI que usou recursos de Valério sem o consentimento de Azeredo. O deputado Serraglio disse que não se "reportará a nomes", mas afirmou que contará que, no passado, recursos de Marcos Valério foram usados em campanhas eleitorais. Os petistas que integram a comissão cobraram a inclusão do caso no relatório parcial feito pelo deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR). Diante das divergências entre governistas e oposicionistas, o documento não foi votado e deverá ser incorporado no relatório a ser apresentado pelo relator da CPI. A CPMI terá acesso a dados sigilosos de fundo de pensão. Ontem, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence voltou atrás e indeferiu a liminar que impedia a comissão de usar os dados provenientes da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da Prece Previdência Complementar, fundo de pensão dos funcionários da Cedae. (com agências noticiosas)