Título: EUA confirmam veto à venda de aviões da Embraer à Venezuela
Autor: Tatiana Bautzer
Fonte: Valor Econômico, 16/01/2006, Internacional, p. A9

Os EUA confirmaram que negaram licenças de transferência de tecnologia à empresa brasileira Embraer para a venda de aviões militares para a Venezuela. A mesma decisão foi tomada em relação a uma proposta de venda de aviões pela Espanha ao governo de Hugo Chávez. "Estamos preocupados com a possibilidade de que essa venda de equipamentos militares para a Venezuela contribua para a desestabilização da América Latina. Deixamos essa visão clara para os espanhóis, venezuelanos e outros governos na América Latina (...), que incluem o Brasil", disse o porta-voz do Departamento de Estado Sean McCormack. A base legal para negar a transferência de tecnologia é o Arms Export Control Act, que determina revisão de acordo com os interesses americanos de venda de tecnologia militar. No caso da transferência espanhola, a proibição atingiu não apenas aviões, mas também barcos para patrulha de fronteira. McCormack confirmou que o assunto foi tratado entre a secretária de Estado, Condoleezza Rice, e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. A proposta de venda de aviões militares para a Venezuela parece ter tido influência no cancelamento de um contrato pelo Pentágono, na quinta-feira, de desenvolvimento de aviões militares para o Exército americano por um consórcio formado pela Lockheed Martin em parceria com Embraer e outras companhias. O consórcio ganhou em agosto de 2004 um contrato de US$ 879 milhões para montagem de aviões de espionagem (o nome do novo modelo e Aerial Common Sensor). O contrato poderia render até US$ 8 bilhões ao longo de vários anos, se houvesse um acordo em relação ao modelo. No ano passado, o Exército americano recusou o primeiro modelo oferecido pela Embraer, ERJ-145, com capacidade para 50 passageiros, dizendo que a aeronave era muito pequena para o total de equipamentos que teria que carregar. A Embraer chegou a oferecer um outro modelo, mas a oferta foi novamente recusada pelo Pentágono. Mas só na quinta-feira, quando já haviam sido anunciadas restrições americanas a vendas da Embraer para a Venezuela, o Pentágono anunciou que todo contrato estava cancelado. Na sexta-feira, porta-vozes do Departamento de Defesa disseram que precisariam de mais tempo para obter informações precisas sobre as razões do cancelamento.