Título: Nova Iguaçu tenta atrair empresas para pólo de cosméticos
Autor: Chico Santos
Fonte: Valor Econômico, 18/11/2004, Brasil, p. A-5
A nova Meca brasileira da indústria de cosméticos é o município de Nova Iguaçu, na problemática Baixada Fluminense, que acaba de eleger o petista Lindberg Farias, apelidado de Lindinho pelas eleitoras, seu prefeito para o período 2005-2008. A gestão atual, derrotada nas urnas, cunhou o slogan "cidade da beleza" para marcar a vocação de Nova Iguaçu. De acordo com dados da Secretaria de Indústria e Comércio do município, são 27 empresas, geradoras de 5.000 empregos diretos e responsáveis por 11% de toda a produção nacional de produtos de higiene pessoal e cosméticos. A cidade está negociando a atração de outras seis empresas do setor, uma delas de capital mexicano, que acrescentariam 2.500 novos postos de trabalho. Tenta atrair também uma fábrica de embalagens plásticas com o objetivo de assegurar o fornecimento local de material para envazamento da produção. Ontem, foi formalmente instalado o Núcleo de Cosméticos de Nova Iguaçu, embrião de um futuro pólo de cosméticos, reunindo empresas e órgãos públicos para estimular a atividade. O prefeito eleito compareceu ao evento e disse que já está estudando a definição de áreas para oferecer para as novas companhias. "Um dos objetivos principais da nossa administração será a atração de novas empresas", disse Lindberg Farias ao Valor. Ele afirmou que Nova Iguaçu tem disponibilidade de terrenos amplos, à margem da rodovia Presidente Dutra, e que a cidade hoje é menos violenta que o Rio de Janeiro e que São Paulo. "Temos uma vantagem comparativa que é a questão da violência", afirmou. Segundo o atual subsecretário municipal de Indústria, Comércio e Agricultura, Cláudio Rosemberg, o pólo de cosméticos no município é inspirado na experiência de Diadema, município da região metropolitana de São Paulo, que concentra 100 empresas do setor de cosméticos e higiene pessoal e que no próximo dia 25 também formalizará o seu pólo setorial. Rosemberg, um comerciante local que coordena o projeto do pólo, disse que Diadema conseguiu, investindo na atração da indústria de cosméticos, superar uma imagem negativa de cidade violenta e desorganizada urbanisticamente. Falta de estrutura urbana e fama de violenta, apesar da declaração feita pelo futuro prefeito, são problemas endêmicos de Nova Iguaçu, município de 915,3 mil habitantes (Censo 2000). O slogan "cidade da beleza", segundo Rosemberg, é uma forma de elevar a auto-estima da população. "Identificamos como foi construído o projeto de Diadema, seus acertos e também seus erros, para não repeti-los", disse o subsecretário. Segundo Rosemberg, as metas iniciais do projeto são constituir central de compras, com pregão internacional, destinada a baratear os custos de matérias-primas, e montar uma estrutura exportadora que facilite a inserção das empresas no mercado internacional. A central de compras enfrenta o problema de como coordenar interesses de empresas de grande porte, que compram quantidades maiores direto dos fabricantes, obtendo preços menores, com os de empresas pequenas que compram pouco, geralmente de distribuidores, e que seriam as maiores beneficiárias das compras conjuntas. Rosemberg disse que está convencendo os empresários que tanto os pequenos quanto os grandes sairão ganhando com a central. "Se o grande compra a R$ 1,25 determinado produto e passa a pagar R$ 1,00, enquanto o preço para o pequeno cai de R$ 1,50 também para R$ 1,00, o grande ganhará muito mais porque a quantidade que ele compra é maior", exemplifica. Para o futuro, o subsecretário sonha juntar todas as empresas do pólo em um condomínio industrial, reduzindo custos administrativos e de segurança, além de abrir caminho para o surgimento de uma área urbana previamente planejada na cidade.