Título: Caixa tem meta de emprestar R$ 27 bi a empresas neste ano
Autor: Mônica Izaguirre
Fonte: Valor Econômico, 18/01/2006, Finanças, p. C8
Estratégia Banco aposta na pessoa jurídica e crédito aumentou 86% em 2005
A maior investida da Caixa Econômica Federal (CEF) sobre o segmento de pessoas jurídicas, a partir de 2004, deu resultado e aumentou fortemente o fluxo de operações comerciais com esse tipo de clientela. Em 2005, as concessões de crédito do banco a empresas somaram R$ 16,43 bilhões, o que representou um crescimento de 86% sobre o ano anterior. Animado com os números, o vice-presidente de crédito da instituição, Francisco Egidio Pelucio Martins, anuncia que, em 2006, pretende aplicar no segmento cerca de R$ 10 bilhões a mais, pelo menos, do que aplicou no ano passado. "Vamos chegar aos R$ 26,85 bilhões. É a nossa meta", disse ele, em entrevista ao Valor. Nessa hipótese, embora proporcionalmente menor, o crescimento será novamente muito expressivo, alcançando cerca de 63%. Os valores não incluem os financiamentos à indústria da construção, contabilizados na carteira imobiliária. Em 2004, quando a Caixa criou uma vice-presidência só para cuidar do crédito comercial, a estratégia de crescer no segmento de pessoas jurídicas já fez diferença. Em relação a 2003, houve, então, incremento de quase 60% nas novas concessões. Isso representou um salto pois, nos três anos anteriores, o máximo que o banco tinha conseguido era uma variação de 31%. De 2000 para 2001, por exemplo, o fluxo de novas operações de crédito comercial com empresas aumentou apenas 4%. O esforço refletiu-se também no saldo dessas operações, que fechou 2005 em R$ 5,3 bilhões, cerca de 60% acima do patamar verificado no final do ano anterior (R$ 3,3 bilhões), informa o vice-presidente da Caixa. Em dois anos, o tamanho da carteira mais que dobrou, pois era de R$ 2,4 bilhões no fim de dezembro de 2003. A criação de uma vice-presidência que ressaltasse as atividades da Caixa como banco comercial permitiu dar mais atenção à demanda das pessoas jurídicas para saber que tipo de produto elas estavam precisando. Uma das primeiras providências foi aumentar a disponibilidade de linhas de "prateleira", com limite pré-aprovado, automatizando procedimentos de tomada do recurso pela empresa, explica Francisco Egidio. Operações que antes exigiam da empresa ir à agência da Caixa passaram a ser feitas via internet e terminais de auto-atendimento. Um exemplo é o Giro Caixa Fácil, linha para capital de giro. O vice-presidente destaca também, como fator de elevação do fluxo de operações, a criação do Giro Instantâneo Múltiplo, que oferece ao empresário a possibilidade antecipar todos os tipos de recebíveis. "O desconto de títulos cresceu muito", afirma. Para dar mais agilidade e reduzir a burocracia, o banco passou a fazer com cada empresa um contrato único para diversos produtos diferentes. Houve também uma revisão dos processos de análise de risco e concessão de limites, que passaram a ser mais rápidos inclusive para linhas de investimento, que exigem projeto. "No caso de empresas com faturamento até R$ 7 milhões por ano, ganhou-se muita agilidade. A própria agência tem autonomia para fazer a análise do investimento", afirma Francisco Egidio. Segundo ele, processos que antes levavam de 80 a 90 dias passaram a ser analisados em 45 a 50 dias no máximo. O vice-presidente informa que a Caixa tem entre seus correntistas quase 600 mil empresas. A primeira preocupação não foi aumentar a base de clientes pessoas jurídicas e sim ampliar o relacionamento com aquelas que já tinham conta mas operavam pouco com a instituição. Os produtos foram repensados, inicialmente, visando atender às necessidades da micro e pequena empresa. Consolidada essa etapa, agora a Caixa quer entrar firme também na disputa por médios e grandes clientes. A criação de uma carteira de câmbio na instituição faz parte da estratégia para atrair empresas maiores. Isso lhe permitiu oferecer repasse de linhas do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiamento de exportações. Conforme Francisco Egidio, na lista dos bancos repassadores de recursos do BNDES, a Caixa pulou de quadragésimo para décimo segundo lugar em volume de operações. Atualmente, a instituição só dá ao exportador crédito pré-embarque (ACC, Adiantamento de Contrato de Câmbio). Mas em breve estará oferecendo também financiamento pós-embarque (ACE, Antecipação de Cambiais Entregues), informa o vice-presidente. Na busca por ampliação da clientela pessoa jurídica, a Caixa está com o foco voltado, no momento, principalmente para as médias empresas. Nesse nicho, diz o executivo, já é necessário oferecer produtos e soluções específicas, senão individualizadas pelo menos por tipo de atividade empresarial. É aí que o banco mais tem concentrado seu esforço de ampliar relacionamento com empresas médias. Como exemplo, o vice-presidente cita uma linha de crédito criada especialmente para financiar a compra de equipamentos de diagnóstico por imagem por hospitais, clínicas e consultórios médicos.