Título: Número de instituições privadas de ensino triplicou no país em 16 anos
Autor: Marta Watanabe e Raquel Salgado
Fonte: Valor Econômico, 23/01/2006, Brasil, p. A4

Os dados do Ministério da Educação mostram que a oferta de cursos superiores acompanha a demanda por qualificação maior. O último censo feito sobre o assunto mostra que, de 2003 para 2004, o Brasil ganhou 2.191 cursos presenciais de nível superior, um crescimento de 13,3% , que significa nada menos do que a abertura de seis novos cursos ao dia. O avanço das faculdades foi proporcionado principalmente pelas instituições privadas, que triplicaram de 1988 a 2004, saltando de 3.980 cursos para 12.360. As instituições públicas dobraram o número de cursos no mesmo período, pulando de 2.970 para 6.284. A maior elevação no número de cursos aconteceu no Norte do país. "As pessoas hoje têm mais acesso à faculdade, o que contribui para a maior qualificação dos profissionais", diz a gerente de recursos humanos e seleção da Gelre, Gerusa Mengarda. "Não temos como medir a qualidade desse ensino superior, mas na hora de disputar uma vaga destinada a nível médio, quem tem faculdade tem chance de se sair melhor, porque, bem ou mal, quem tem o terceiro grau estudou mais, leu mais e, por isso, comete menos erros de português e se expressa melhor." Como resultado, lembra Gerusa, o mercado de trabalho emprega pessoas com escolaridade maior, mesmo que as vagam exijam formalmente uma menor qualificação. A cobrança do mercado de trabalho tem gerado não só uma busca pelo nível superior como também pelo ensino fundamental e médio. O programa Exames Supletivos, criado pelo governo paulista e destinado a jovens e adultos interessados na formação fundamental e média, registrou recorde de inscrições neste ano. Foram 335 mil candidatos. Em 1999, os inscritos eram apenas 65,5 mil. Para o pesquisador do Instituto Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Maurício Cortez Reis, "a qualificação no Brasil ainda é muito baixa, então é uma grande vantagem ter um curso superior". Reis lembra que a taxa de desemprego para pessoas com curso superior é baixa. Em 2003, o desemprego para quem tinha mais de 17 anos de estudo estava em 2,13%. Já para quem ficou dez anos nos bancos escolares e não foi além da segunda séria do ensino médio, essa taxa sobe para 17%. Para quem estudou só um ano a mais e concluiu o ensino médio, a situação era menos nebulosa e o desemprego estava em 11,3%. (MW e RS)