Título: Cotações do açúcar disparam em NY
Autor: Mônica Scaramuzzo
Fonte: Valor Econômico, 23/01/2006, Agronegócios, p. B10
Tendências
Os preços futuros do açúcar registraram forte alta na sexta-feira, na bolsa de Nova York, atingindo o maior patamar dos últimos 24 anos. O aumento dos preços da commodity não surpreende, uma vez que já estava previsto no mercado, em razão da oferta ajustada no mercado internacional. A surpresa, contudo, fica por conta da rapidez com que as cotações dispararam nos últimos meses - alta acumulada de 83,1% em 12 meses. Os contratos para março - primeira posição - fecharam a 17,15 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 103 pontos, ou 6,4%, sobre o pregão anterior. Os de maio - segunda posição - encerraram o dia a 16,90 centavos de dólar, alta de 97 pontos, ou 6,1%. Os fundamentos altistas que têm dado suporte aos preços futuros do açúcar são os mesmos desde o ano passado, segundo analistas ouvidos pelo Valor. Trata-se de uma combinação da elevação das cotações do petróleo, quebra de produção de importante países produtores, como Tailândia e Paquistão, além da maior disposição das usinas sucroalcooleiras do Brasil de produzir mais álcool do que açúcar. Patrick Funaro, diretor da Fimat Futures no Brasil, disse que a alta de sexta-feira foi puxada por agressivas compras de fundos e especuladores, além de consumidores, como Rússia. Mas não há, no momento, interesse de venda por parte dos países produtores. Se por um lado a alta dos preços do açúcar estimula a cadeia produtiva, por outro preocupa as tradings e usinas que fixaram seus preços abaixo dos atuais patamares. Os chamados "ajustes de margem" (diferença entre o preço fixado pelos vendedores e as cotações registradas na bolsa) comprometem o capital de giro das usinas e tradings, que já fixaram boa parte de suas posições futuras. A diferença tem de ser acertada em bolsa. Funaro, da Fimat, afirmou que pelo menos 30% do açúcar que será negociado na safra 2006/07, com colheita a partir de abril no Centro-Sul, já estão fixados. "Pior seria se os volumes fixados tivessem sido maiores", disse. O índice de fixação da safra 2006/07 está em ritmo mais lento, uma vez que os produtores apostam em novas altas no mercado internacional. Segundo um trader, as tradings ficam com seus custos financeiros comprometidos por conta de tais ajustes, que só são recuperados quando ocorre entrega do produto na bolsa de futuros.