Título: Governo zera a dívida cambial interna
Autor: Claudia Safatle
Fonte: Valor Econômico, 24/01/2006, Finanças, p. C2
O governo zerou, neste mês, a parcela da dívida mobiliária interna vinculada ao câmbio. A informação foi dada pelo chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab) do Banco Central, Ivan de Oliveira Lima. No fim de dezembro do ano passado, considerando as operações de swap reverso, a parte da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) cambial correspondia a R$ 11,4 bilhões ou 1,16% do total. Oliveira Lima explicou que foram de US$ 6,1 bilhões os resgates líquidos nas operações de swap reverso feitas até 20 de janeiro. Portanto, aplicando-se a taxa de câmbio, o governo está com posição ativa, ou seja, um crédito em dólares. Essa posição ativa, segundo o chefe do Demab, pode até aumentar, se forem mantidas as operações de swap reverso. "Esses leilões devem continuar, mesmo sem a exposição da dívida interna ao dólar", disse Oliveira Lima. Além da taxa de câmbio, o cupom cambial também influi na avaliação do BC quando decide se vai realizar os swaps reversos. O BC reduziu o volume das operações de swap reverso nas duas últimas oportunidades: sexta-feira passada e ontem. Elas foram, segundo o Demab, de cerca de US$ 200 milhões, ante o patamar de US$ 400 milhões que vinha sendo observado. Oliveira Lima também afirmou que essa diminuição dos valores nos dois últimos leilões de swap reverso não decorre da redução da exposição cambial da dívida e também não é um sinal de que um novo patamar (US$ 200 milhões) foi estabelecido. Por meio das operações chamadas swap reverso, o BC realiza leilões de contratos com o objetivo de trocar rentabilidade. Dessa maneira, paga a variação da taxa de juros Selic e recebe a variação cambial. Os ajustes são diários. O termo reverso é usado porque é mais comum o BC realizar essas operações de troca pagando em dólar e recebendo em taxa de juros. Segundo o chefe do Demab, o resgate líquido de instrumentos cambiais foi de US$ 26,5 bilhões em 2005. No ano anterior, foi de US$ 27,8 bilhões. Em dezembro, esses resgates envolveram US$ 9,5 bilhões. Neste mês, até 20 de janeiro, os resgates foram de US$ 6,1 bilhões. Desconsiderando-se as operações de swap, a parcela da DPMFi vinculada ao câmbio foi de 2,7% em 2005. Portanto, foi cumprido o intervalo determinado no Plano Anual de Financiamento (PAF) para 2005, que era entre 3% e 5%. O PAF 2006 admite um intervalo de 1% a 3% para a exposição cambial da dívida mobiliária interna. Portanto, a DPMFi pode continuar tendo alguma impacto do dólar, mesmo que irrelevante. Nos últimos anos, desde 1999, a maior participação de dívida vinculada ao câmbio - considerando as operações de swap - foi em setembro de 2002. Naquela oportunidade, os R$ 267,92 bilhões representavam 40,67% da DPMFi. Em dezembro de 2003, primeiro ano da gestão do ministro Antonio Palocci e do secretário do Tesouro, Joaquim Levy, a exposição cambial já tinha sido reduzida para 22,06% (R$ 161,39 bilhões). Em dezembro de 2004, a composição da DPMFi indicava que os títulos remunerados pela variação cambial representavam 9,88% (R$ 80,05 bilhões) do total.