Título: Não tem mágica em economia
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Fonte: Correio Braziliense, 15/05/2010, Economia, p. 21
Em visita a Moscou, Lula dá a fórmula da estabilidade, cobra a reforma das instituições financeiras e prega contra a volta do protecionismo
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, deu sua fórmula de como manter uma economia sadia e vigorosa: Não tem mágica em economia, não tem invenção; o que vale é a seriedade, é a estabilidade da economia, e como se controla a inflação. A receita foi dada a empresários em discurso de improviso durante a cerimônia de encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Rússia, em Moscou. Lula disse ainda que a crise da Grécia demonstra que foi feito muito pouco para resolver os problemas da crise econômica e parece que ela volta mais forte que em 2008 por pura irresponsabilidade, por falta de controle do sistema financeiro.
Ele lembrou à plateia, de cerca de 250 pessoas, que a crise também atingiu o Brasil em 2008. E se não fossem os bancos públicos estarem reforçados, teríamos muito mais dificuldade de segurar a crise, frisou. O presidente ressaltou ainda que Brasil e Rússia devem trabalhar juntos para permitir que pelo menos uma vez neste século o setor produtivo tenha a prioridade sobre o sistema financeiro. E o sistema financeiro tenha como finalidade o setor produtivo.
A crise europeia estava mesmo nas preocupações de Lula durante sua visita a Moscou. Logo em seguida, na abertura da reunião conjunta com o presidente russo, Dmitri Medvedev, no Kremlin, ele afirmou que a instabilidade financeira na Europa não deixa espaço para ilusões ou inércia. E mais uma vez arriscou passar uma receita: Precisamos reformar as instituições financeiras internacionais e evitar o ressurgimento de tentações protecionistas nos países desenvolvidos.
Os dois presidentes também falaram da necessidade de ampliar o intercâmbio comercial entre Brasil e Rússia, e defenderam que as transações passem a ser feitas com moedas locais. Para o presidente russo, decisões em moedas nacionais são importantes para o desenvolvimento estável dos países e para um sistema financeiro internacional mais equilibrado. Nem o dólar nem o euro nem nenhuma outra podem se dizer uma moeda mundial que protege todos os países, argumentou.
Lula reforçou o discurso do colega: Não existe nenhuma explicação de por que estamos tratando de comércio abdicando... e utilizando uma terceira moeda quando poderíamos fortalecer a nossa moeda. Lula e Medvedev disseram ter a meta de elevar o intercâmbio comercial para US$ 10 bilhões em 2010.
Se não fossem os bancos públicos estarem reforçados, teríamos muito mais dificuldade de segurar a crise
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil