Título: Vendas de cerveja crescem 6% no ano
Autor: Assis Moreira
Fonte: Valor Econômico, 28/12/2005, Empresas &, p. B4

Depois de dois anos seguidos de queda, o consumo nacional de cerveja começa a ensaiar uma retomada de crescimento - ainda que tímido. O setor deverá fechar o ano com expansão de 5,8% em volume ( 8,9 bilhões de litros) e de 9,6% em faturamento (R$ 18,9 bilhões) em comparação com o ano passado. Os dados são estimativas do Sindicato das Indústrias de Cerveja (Sindicerv), que ainda não fechou os números de dezembro. "Em geral, o setor acompanha o PIB, mas este ano teremos um crescimento extraordinariamente maior", diz Luciano Fonseca, economista do Sindicerv, considerando uma expansão de 2,5% para a economia brasileira. O mercado cervejeiro pode até oscilar conforme o humor de São Pedro ou dos preços, mas é inegavelmente sensível às variações macroeconômicas. O primeiro aperto no bolso do consumidor tem impacto direto nas vendas. Em 1999, ano da maxidesvalorização do real, as vendas de cerveja tiveram queda de 3,5% em volume em relação a 1998. Após novas rodadas de desvalorização cambial, em 2002 o consumo continuou a cair, com um recuo de 0,5%, em comparação com 2001. Em faturamento, porém, houve aumento de 16%, justamente por conta de elevação de preços. A cerveja tem 70% de seus custos atrelados ao dólar, como a lata de alumínio e ingredientes como lúpulo, malte e cevada. E, mesmo que a economia não tenha tido aquele formidável crescimento neste ano, o brasileiro bebeu mais. Mas por que? Para o economista do Sindicerv, o setor se beneficiou por ter apenas repassado a inflação - de 5% - para os preços das cervejas, diferentemente do que aconteceu em outros segmentos de bebidas, como o de refrigerantes e o de cachaça. "O consumidor compara preços e pode preferir um produto em detrimento de outro por conta disso." Com o mercado mais aquecido, a maior fabricante de cerveja do país, a AmBev, vem apresentando um excelente resultado este ano. No terceiro trimestre triplicou o lucro para R$ 399,1 milhões. Dona de 69,1% do mercado doméstico, a AmBev decidiu abrir novas fronteiras para a Brahma, exportando a marca para mais de 15 países. Ao lado das belgas Stella Artois e Beck's, a Brahma tornou-se uma marca global, após a fusão com a Interbrew, que criou a InBev. A Kaiser - que vem tentando recuperar mercado e hoje conta com 8,6% de participação, segundo instituto A/C Nielsen - também traçou um plano de exportação para a Bavária. Mas, ao longo do ano, os seus principais executivos, liderados pelo presidente Fernando Tigre, se dedicaram em reestruturar a companhia e prepará-la para venda. Um novo dono pode ser anunciado no começo do ano que vem. A mexicana Femsa, maior engarrafadora da Coca-Cola na América Latina, é uma das fortes candidatas ao lado da holandesa Heineken, que já detém 20% da Kaiser. Nada impede que as duas se juntem para assumir o controle da cervejaria pertencente à canadense MolsonCoors. Alheia aos movimentos de fusões e aquisições, a brasileira Schincariol, com 12,6% de mercado, passou o ano tentando polir a imagem, arranhada desde que seu controlador Adriano Schincariol foi acusado de sonegação de imposto.