Título: Brasileiro confia em empresas, mas exige produtos de qualidade, mostra estudo
Autor: Raquel Landim
Fonte: Valor Econômico, 26/01/2006, Brasil, p. A2
Enquanto europeus e americanos acreditam nas boas intenções das organizações não-governamentais, brasileiros e japoneses confiam nas empresas, mas cobram caro por isso. O Brasil é o país que mais exige qualidade de produtos e serviços e o que mais protesta se não está satisfeito. Já a avaliação do governo no país caiu pela metade por conta dos escândalos de corrupção. Esses são os resultados do sétimo estudo de confiança da Edelman, uma das maiores empresas de relações públicas do mundo. A pesquisa será divulgada amanhã a no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, e foi obtida pelo Valor. A Edelman entrevistou dois mil formadores de opinião em 11 países: empresários, profissionais liberais e jornalistas, entre outros. Foram escolhidas pessoas entre 35 e 64 anos, com formação superior e renda anual acima de US$ 75 mil. O governo é a instituição de menor credibilidade no Brasil. A percentagem de entrevistados que confia no governo caiu de 42% em 2005 para 21% este ano. Segundo Alexandre Alfredo, vice-presidente da Edelman no Brasil, a imagem dos políticos foi prejudicada pela crise política. As pessoas acreditam pouco no governo em todos os países, com exceção do Japão e da China. No último caso, trata-se de um regime comunista. A confiança na imprensa também é baixa em diversos países no mundo, ficando em 30% nos Estados Unidos e 27% na Europa. Esse percentual é mais expressivo na Coréia do Sul (49%), no Brasil (53%) e na China (73%). As ONGs são as instituições que registram o maior grau de credibilidade na Europa, merecendo a confiança de 52% dos entrevistados. Nos EUA, o índice de credibilidade nas ONGs saltou de 36% em 2001 para 54% em 2006. No Brasil, o índice de confiança também é alto e chega a 60%. Brasil e Japão são os países que mais acreditam nas empresas. O índice de credibilidade das companhias atingiu 62% no Brasil e 66% no Japão. As empresas contam com a confiança de apenas 33% dos entrevistados alemães e 28% dos franceses. "O brasileiro está mais crítico", constata Alfredo, da Edelman. 61% dos entrevistados no país protestam contra uma companhia quando não estão satisfeitos. É o mais alto indicador dos 11 países do estudo. Apenas 14% dos americanos se animam a protestar. Entre os brasileiros, 96% exigem qualidade dos produtos para que a empresa mereça sua confiança e 95% fazem questão de preço justo. No Brasil, 95% dos entrevistados esperam que as empresas abracem causas sociais, ocupando um espaço deixado pelo governo. Para brasileiros, coreanos e italianos, as empresas de tecnologia da informação são as mais confiáveis. O Brasil lidera o ranking e 88% dos entrevistados dizem que acreditam nessas companhias. Não estão incluídas nesse setor as empresas de telecomunicações, que despertam a confiança de 63% dos brasileiros. "As empresas de tecnologia estão sempre contratando e inovando. Além disso, possuem presidentes carismáticos", explica Alfredo. A Microsoft, fundada por Bill Gates, foi a mais citada em todos os países como a companhia global de maior credibilidade. No Brasil, foram eleitas Petrobras e Vale do Rio Doce. Alfredo avalia que há um forte componente de patriotismo. Os brasileiras enxergam essas companhias como empresas nacionais de sucesso no exterior. As indústrias farmacêutica e de alimentos enfrentam ceticismo nos Estados Unidos, na Alemanha e no Brasil. Em mídia e entretenimento, o índice de credibilidade também é baixo. Na maioria dos países, ouvir a indicação de um colega de trabalho tem mais credibilidade que qualquer peça publicitária. No Brasil, 88% dos entrevistados acreditam nas indicações de alguém que consideram "uma pessoa como eu". Os médicos e os analistas financeiros também inspiram confiança para mais de 70% dos entrevistados. Apenas 29% dos formadores de opinião no país acreditam no que diz o presidente. Os parlamentares convencem só 3%. A internet é a forma de mídia que mais cresceu no Brasil. É considerada confiável por 26% dos entrevistados, ante 10% no ano passado. Os jornais continuam como a mídia de maior credibilidade, mas viram sua fatia encolher de 35% para 29%. Já a TV despencou de 34% para 12%.