Título: Serra e Alckmin evitam questões eleitorais
Autor: Cristiane Agostine e Caio Junqueira
Fonte: Valor Econômico, 26/01/2006, Política, p. A5
Depois de conversas com um dos principais caciques do PSDB, o governador de Minas, Aécio Neves, os dois principais postulantes tucanos à vaga do partido para disputar a Presidência da República deram sinais de trégua. Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, e José Serra, prefeito da capital, mostraram ontem entrosamento durante a comemoração dos 452 anos da cidade de São Paulo. Alckmin disse, publicamente, que Serra é um grande administrador, "de talento e experiência acumulada". O governador mudou sua agenda para acompanhar o prefeito em um evento. De forma diferente da habitual, desconversou sobre todos os temas políticos questionados, como a verticalização e a reeleição, e ignorou as perguntas sobre as conversas com Aécio. Sua viagem ao Rio de Janeiro, programada para hoje, foi cancelada. Alckmin quis falar apenas das obras que serão inaugurar antes do prazo final de desincompatibilização, em 31 de março. O prefeito Serra demonstrou simpatia ao governador, disse que os dois são amigos e guardou as críticas para o governo federal e, em especial, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu entendimento, Lula faz "pregação da deseducação". Os dois tucanos evitaram falar sobre quem será o candidato do PSDB à Presidência. "Quem decide é o diretório do PSDB", disse Alckmin. Serra terminou a entrevista quando o assunto foi abordado e quase caiu em contradição ao ser questionado sobre sua permanência na prefeitura até o fim do mandato. Disse que "sem dúvida" participará das comemorações de outros aniversários da cidade, mas quando interrogado se será como prefeito, interrompeu a coletiva e foi embora. Serra disse que sua trajetória não o "permite ser pau mandado" e afirmou ter "idéias próprias na vida pública". "Isso incomoda muita gente. Às vezes fazem críticas a mim, dizendo: 'Ah, o Serra tem idéias próprias'. Acho engraçado", disse, na assinatura de decreto de lei para construção de uma praça cultural. Em um dos eventos da comemoração, o prefeito inaugurou obras inacabadas de revitalização de uma praça, que ainda apresentava mudas e grama a serem plantadas. Em seguida, foi à reinauguração de um centro esportivo. Na celebração de missa na catedral da Sé, Serra ouviu queixas do arcebispo dom Cláudio Hummes. O religioso pediu mais ações do governo municipal para os 10 mil moradores de rua paulistanos, empenho na solução dos problemas e cobrou a punição dos envolvidos na chacina de moradores de rua, em agosto de 2004.