Título: Varig tenta fechar hoje venda de subsidiárias
Autor: Janaina Vilella e Vanessa Adachi
Fonte: Valor Econômico, 29/12/2005, Brasil, p. A2
A Varig tenta fechar hoje a venda de suas subsidiárias VarigLog e VEM , depois de muita confusão nos últimos dois dias. Na noite de terça-feira, a Varig enviou uma correspondência à TAP dando a entender que havia decidido vender as duas subsidiárias de forma desmembrada. A VarigLog, de transporte de cargas, iria para o fundo americano MatlinPatterson, por US$ 47,4 milhões. E a estatal portuguesa de aviação ficaria com a VEM, de manutenção de aeronaves, por US$ 24 milhões. Adicionalmente, a TAP receberia a multa contratual pelo cancelamento da compra da VarigLog. O contrato falava em multa de 20% sobre o valor oferecido pela TAP, que foi de US$ 38 milhões. Ou seja, a multa seria de US$ 7,6 milhões. A TAP concordou com os termos e enviou sua resposta. No entanto, na noite de ontem, fontes envolvidas na negociação informavam que o envio do comunicado à TAP fora um "equívoco". Isso porque o MatlinPatterson se recusa a ficar com apenas uma das subsidiárias. "Eles querem as duas ou nada", disse um executivo familiarizado com o tema. Agora, Varig e Matlin tentam chegar a um acordo. O problema é que, ao formular sua proposta há cerca de quinze dias, o fundo americano ofereceu US$ 77 milhões pelas duas empresas ou, alternativamente, US$ 55 milhões só pela VarigLog. Os dois valores já embutem as multas de 20% sobre os valores oferecidos pela TAP lá atrás. Com isso, a Varig enxergou a possibilidade de maximizar o valor arrecadado com a venda em separado das duas subsidiárias. A TAP já tinha pago um preço mínimo de US 62 milhões pelas duas subsidiárias (US$ 38 milhões pela VarigLog e US$ 24 milhões pela VEM) e tinha preferência no negócio. Uma fonte envolvida no processo contou ao Valor que a proposta da Docas Investimentos, de Nelson Tanure, foi desqualificada do leilão por não ter atendido a sete das oito exigências feitas pela área para assumir o controle das duas subsidiárias. A empresa não teria comprovado a capacidade de obter financiamento junto ao BNDES para a compra das empresas, assim como não comprovou a existência dos recursos previstos para pagá-las. Ontem o juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8ª Vara Empresarial, homologou o plano de recuperação da Varig. A informação é da companhia aérea. O plano de recuperação judicial foi aprovado pelos credores da Varig no último dia 19.