Título: Uso do IGP-DI impede queda maior da dívida
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 29/12/2005, Brasil, p. A4
A dívida líquida do setor público teria caído mais fortemente em 2005, não fossem os efeitos adversos do uso do IGP-DI para deflacionar o PIB. O Banco Central dedicou uma seção do relatório de inflação de dezembro para discutir o assunto, e concluiu que, se em vez do IGP-DI fosse usado o IPCA , a dívida teria caído 2,4 ponto percentual de janeiro a outubro, em vez dos 0,6 ponto efetivamente ocorrido. O estudo do BC foi elaborado com dados disponíveis até outubro. Na semana passada, o BC divulgou nota de política fiscal, que mostra nova queda na dívida em novembro, de 0,2 ponto, terminando o mês em 50,9% do PIB. O relatório de inflação lembra que a trajetória da dívida/PIB cresceu até setembro de 2002, quando começou a declinar rapidamente - a queda acumulada até outubro de 2005 é de 10,5 ponto percentual. "O ritmo da redução, entretanto, foi menos intenso nos últimos meses", diz o relatório. O relatório diz que a apreciação recente do câmbio teve dois efeitos sobre a dívida. Um deles foi positivo, reduzindo o valor em reais da dívida vinculada ao câmbio. Outro efeito foi negativo: a apreciação do câmbio reduziu o IGP-DI, que, por sua vez, se traduz em um PIB menor. O diretor do BC, Afonso Bevilaqua, disse que o superávit primário de 4,25% do PIB é suficiente para que a dívida siga em trajetória de queda. Apesar do debate dentro do governo sobre ampliar o gasto público, o BC não vê, afirmou, o risco de a meta fiscal não ser cumprida. "O que temos na projeção é o cumprimento da meta de 4,25%", disse. "Na hipótese de acontecer algo diferente, vamos incorporar as mudanças nas projeções." (AR)