Título: Gás russo pode faltar na Europa
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Fonte: Valor Econômico, 29/12/2005, Internacional, p. A7

Rússia e Ucrânia estão em meio a uma batalha por causa do preço do gás russo, num entrevero que pode ameaçar o fornecimento da commodity para a Europa. Moscou diz que no primeiro dia de 2006 elevará os preços do gás natural pago pelos ucranianos de US$ 50 por mil metros cúbicos para US$ 230 por mil metros cúbicos. A alta de preços coincide com o inverno e a Ucrânia diz que não aceita a ação unilateral. A Rússia avisou que, se Kiev não concordar, enviará menos 20% de gás pelo gasoduto que atravessa a Ucrânia em direção à Europa -esses 20% são a cota ucraniana. Kiev diz que contestará a medida e continuará retirando sua cota. Se Moscou diminuir o envio e os ucranianos retirarem 20%, pode faltar gás na Europa. Cerca de 80% do gás russo que vai para a Europa passa pela Ucrânia e os russos vendem uma parte dele com preços subsidiados aos ucranianos por causa do direito de passagem do gasoduto. Moscou vem renegociando suas vendas subsidiadas com os países que fizeram parte da União Soviética, mas as relações com o governo ucraniano vêm se tornando ruins desde que Viktor Yushchenko se elegeu presidente no ano passado, vencendo um candidato apoiado por Moscou. Os ucranianos afirmam que o Kremlin pretende, com essas medidas, punir o país por causa de sua nova política pró-Ocidente. Os países europeus, grandes consumidores do gás russo, dizem que o Moscou e Kiev têm de chegar a um acordo para garantir que o gás continue fluindo, mas sugeriram que não vão interferir na questão. "Não nos vemos como mediadores neste problema. É um assunto bilateral entre Ucrânia e Rússia", disse o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Martin Jaeger. O premiê ucraniano, Yuri Yekhanurov, disse que as medidas russas são inaceitáveis e pretende submeter o caso à corte internacional de arbitragem.