Título: Embrapa avalia modelo de gestão mais "democrática"
Autor: Mauro Zanatta
Fonte: Valor Econômico, 29/12/2005, Agronegócios, p. B10

Pesquisas

Criada pelos militares em 1973, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) prepara-se para terminar 2006 com um modelo "mais democrático" para a eleição de seu presidente. O atual titular Silvio Crestana disse ontem (dia 28) ao Valor que está em fase final de negociação no governo a fixação de um mandato de quatro anos para presidente e diretores, com avaliações bianuais de desempenho e possibilidade de destituição por processo administrativo. Pela proposta, o presidente seria escolhido pelo Conselho de Administração, que elegeria o perfil e identificaria os nomes, dentro e fora da empresa. Uma lista tríplice seria submetida ao ministro da Agricultura e ao presidente da República. As mudanças devem dar "mais estabilidade" à Embrapa, afirma Crestana. Outra mudança proposta pela estatal, e que terá forte impacto nas demais empresas do setor, será a revitalização do sistema nacional de pesquisa agropecuária. Uma emenda parlamentar deve reorganizar as empresas estaduais de pesquisa sob o mesmo guarda-chuva de financiamento de pesquisas e de capacitação de pessoal, sobretudo mestrado e doutorado. "Muitas delas fecharam por falta de fôlego. Não havia recursos nem para a Embrapa". Crestana informa, que a nova rede capitaneada pela Embrapa incluirá sistemas de extensão rural de universidades públicas e privadas de todo o país. Os recursos para esses avanços da pesquisa virão do fundo setorial do agronegócio, sob a gestão do Ministério da Ciência e Tecnologia. Também sairão de parcerias com fundações de amparo a pesquisa nos Estados e agências de desenvolvimento e fomento e fundações privadas de pesquisa. A meta é ampliar o orçamento da Embrapa em R$ 200 milhões até 2008. Neste ano, a empresa teve R$ 877 milhões para gastar. Em 2006, contará com R$ 970 milhões. Parcerias com o setor privado para inovação tecnológica seguem bem-vindas. Para renovar seus quadros, a estatal pôs em prática um programa de demissão voluntária, onde já entraram 1,7 mil servidores. A empresa, que tem 2,2 mil pesquisadores, usará a "folga" para contratar 200 cientistas para defesa animal e vegetal, agroenergia e biotecnologia. Haverá um novo plano de cargos e salários. Um pesquisador sênior passaria a ganhar R$ 13 mil, bônus e previdência complementar.