Título: Metas são cumpridas com folga
Autor: Catherine Vieira
Fonte: Valor Econômico, 29/12/2005, Finanças, p. C8

Fundos de Pensão Juros altos e realização de lucros no mercado acionário garantem resultado

Enquanto a parcela alocada em renda fixa, concentrada em títulos públicos, aumentou, a carteira de renda variável das fundações de previdência, computados fundos e compra direta, que representava cerca de 29% do portfólio total no fim de 2004, deve permanecer no mesmo patamar ou um pouco abaixo dele ao fim de 2005 - apesar da valorização do Ibovespa, de 29%; e do IBX, de 39%. Isso indica que os fundos de fato optaram pela realização dos lucros nesse mercado. Segundo estimativas do gerente de risco da Eletros, Jair Ribeiro, os fundos efetuaram vendas de R$ 7 bilhões a R$ 8 bilhões no mercado acionário em 2005. Na opinião de Antônio Cruz, diretor da Abrapp, as vendas maiores ocorreram ainda no primeiro semestre, após uma perna de alta da bolsa ocorrida no primeiro trimestre do ano. Pelas projeções de Ribeiro, da Eletros, mesmo com as vendas, os fundos vão alcançar uma rentabilidade média bastante atrativa, por conta do alto patamar dos juros reais este ano. "As carteiras não devem superar o CDI na média, porque os títulos indexados à inflação tiveram um rendimento menor quase o ano todo, apesar de já estarem se recuperando em dezembro", diz Ribeiro. "Por outro lado, a maioria dos fundos deve superar com folga as metas atuariais porque as taxas de inflação foram baixas e os juros, altos", completou ele, que projeta uma rentabilidade média de 17,3% para a carteira de investimento das fundações no ano fechado. Segundo Ribeiro, apesar de os fundos terem sido mais reticentes com as aplicações de renda variável, esse segmento foi determinante para conseguir folgas nas metas, que formam os chamados superávits. Na Eletros, fundo de pensão dos funcionários da Eletrobrás, essa sobra deve ficar na casa dos R$ 100 milhões. "Esse valor recompõe já em 2005 o nosso superávit, uma vez que em 2004, a sobra acumulada de R$ 195 milhões foi utilizado para atualizar a tábua atuarial, em função do aumento da longevidade dos participantes", lembra o presidente da Eletros, Luiz Limaverde. Com mais de 80% da carteira aplicada em renda fixa, a Eletros alcançou rentabilidade média de 18,2% em 2005. Este será o terceiro ano consecutivo em que os fundos atingem suas metas, ajudados pelos bons ventos nos mercados e ainda pelos juros elevados. Pelas projeções da Abrapp, a rentabilidade das carteiras de investimento dos fundos de pensão deve variar entre 16% e 19%, de acordo com o perfil do portfólio de cada um. "Salvo uma ou outra exceção, os fundos devem bater as metas com folga", disse o presidente da Abrapp, Fernando Pimentel. "Se tomarmos por exemplo o INPC + 6%, que corresponde à meta atuarial de boa parte das fundações, devemos ter uma variação de cerca de 12,2%, o que deve gerar uma sobra de ganho de pelo menos quatro pontos percentuais." Segundo as perspectivas da Abrapp, o sistema de previdência fechada deve fechar o ano com investimentos de R$ 285 bilhões e ativos totais de R$ 330 bilhões. "Isso vai representar uma variação positiva de cerca de 11,4% com relação à carteira de investimentos", observou Pimentel.