Título: Safra de grãos do PR já tem perda de R$ 1,39 bilhão por causa da seca
Autor: Marli Lima
Fonte: Valor Econômico, 25/01/2006, Agronegócios, p. B10
Clima
A estiagem que começou em meados de dezembro no Paraná já causou prejuízos de R$ 1,39 bilhão na agricultura do Estado. Chuvas que ocorreram nos últimos dias trouxeram um pouco de ânimo aos agricultores, mas ao divulgar o levantamento da safra de verão, ontem, o secretário estadual da Agricultura, Orlando Pessuti, disse que "tudo indica que as perdas no ano serão maiores que na safra passada". Em 2004/05, 6 milhões de toneladas de grãos deixaram de ser produzidas no Estado, o que representou uma quebra de 21%. Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à secretaria, mostram que as perdas até agora somam 3,8 milhões de toneladas de grãos, volume que representa 17,4% do potencial produtivo da safra de verão. Com isso, a estimativa de colheita caiu de 21,8 milhões de toneladas para 18 milhões de toneladas. O milho foi o grão mais prejudicado, com quebra de 22,2%. Em vez das 9,35 milhões de toneladas previstas anteriormente para a 1ª safra, deverão ser colhidas 7,28 milhões de toneladas. Nesse caso, as perdas somam cerca de R$ 409 milhões, segundo o Deral. A soja também enfrentou problemas. Era esperada produção de 11,73 milhões de toneladas, mas a estimativa caiu para 10,07 milhões de toneladas, 14,2% menor. Com a redução de 1,66 milhão de toneladas, o prejuízo na produção será de cerca de R$ 716 milhões. O levantamento do Deral também mostra 17,8% de perdas nas lavouras de feijão das águas, 11,6% nas de arroz de sequeiro, 17% nas de batata das águas e 9,66% para fumo. O relatório também destaca que nos últimos três anos o Paraná enfrenta problemas com a seca. Para amenizar o quadro, Pessuti disse que pediu para sua equipe verificar a possibilidade de o Estado adquirir semente de milho e feijão para fornecer ao pequeno produtor que ficou descapitalizado para investir na safrinha de milho e feijão. "Tem gente que perdeu 100%, e a idéia é estimular esse pessoal a plantar novamente", disse. Pessuti também está discutindo com representantes do setor uma proposta de pedido de apoio do governo federal, que entre outros assuntos abordará a prorrogação das dívidas de financiamento para custeio, uma nova linha de crédito para quem deve para terceiros e aquisição de produtos para garantir o preço mínimo. O resultado desse trabalho deverá ser levado a Brasília na próxima semana, e também será entregue a deputados federais e senadores do Paraná. "Temos um problema e, neste ano, começamos a discuti-lo mais cedo." Mas a estiagem está levando os agricultores a debater também outro assunto. Pessuti defende a diversificação da produção, para reduzir o impacto das perdas. "Quem planta uva, por exemplo, não está passando por isso", citou. "Se os produtores não partirem para a diversificação, concentrando toda a produção numa única cultura, os prejuízos tendem a ser maiores quando ocorrer estiagem, excesso de chuvas, geada, praga ou outro fator." De acordo com o Deral, em 2002/03 o Paraná colheu 30,4 milhões de toneladas de grãos. Na safra seguinte a produção caiu para 25,9 milhões de toneladas e, em 2004/05, a colheita somou 22,2 milhões de toneladas de grãos.