Título: Reforma começa e Mercadante pode ir para a Saúde
Autor: Cristiano Romero, Taciana Collet e Maria Lúcia Del
Fonte: Valor Econômico, 19/11/2004, Brasil, p. A-4
A segunda reforma ministerial do governo já está em pleno andamento. Começou há duas semanas com a demissão de José Viegas do Ministério da Defesa e ganhou embalo ontem, com a saída de Carlos Lessa do BNDES. Novas mudanças acontecerão de forma "rápida e objetiva", segundo qualificou, em reunião interna, o ministro da Casa Civil, José Dirceu. Está praticamente certa a substituição do ministro da Saúde, Humberto Costa, pelo líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante. Segundo Mercadante, com a nova reforma, o Palácio do Planalto trabalha para ter um governo de coalizão na segunda metade do mandato de Lula. "O presidente fez algumas mudanças na equipe e provavelmente fará outras. Tenho certeza que está escalando a melhor seleção do país para poder fazer frente aos desafios e oportunidades que temos pela frente. Ele está amadurecendo as consultas e trabalhando na perspectiva de um governo de coalizão dos vários partidos que sustentam esse projeto", disse Mercadante. Além da substituição de Mantega no Ministério do Planejamento, o governo avalia outras mudanças. Segundo apurou o Valor, a secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Social, Ana Fonseca, pediu para deixar o governo. Ontem, confirmou-se a saída do secretário-executivo do Ministério da Saúde, Gastão Wagner, que se incompatibilizou com o ministro Humberto Costa. Sua exoneração já foi publicada no Diário Oficial da União. A demissão de Wagner desgastou o ministro. Sua gestão também vem recebendo críticas constantes no núcleo do poder do governo. Circularam rumores nos últimos dias de que também o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, poderá sair. Nos últimos meses, Berzoini enfrentou problemas com as centrais sindicais em torno da reforma trabalhista e da cobrança das chamadas contribuições sindicais, que ele tentou limitar, mas não conseguiu. Em outra frente, o PT está pressionando Lula a devolver ao partido a coordenação política do governo, hoje sob o comando do ministro Aldo Rebelo, filiado ao PC do B. Satisfeito com o trabalho de Aldo, o presidente está resistindo a tirá-lo da coordenação. O Palácio do Planalto confirmou ontem que o assessor especial da Presidência, Frei Betto, deixará o governo até o fim do ano. Amigo do presidente Lula e ativista da ala progressista da Igreja Católica, Frei Betto desempenhava a função de coordenador de Mobilização Social do Programa Fome Zero. Seus assessores disseram que ele vai voltar a se dedicar à literatura, mas continuará disposto a colaborar com o governo sempre que necessário. Ele ficará no cargo até o dia 20 de dezembro. As mudanças ministeriais passam também pela tentativa do governo de consolidar a sua base de apoio no Congresso. Por isso, aguarda-se que um novo acerto com o PMDB, partido que está ameaçando romper com o governo, envolverá a concessão de pelo menos mais uma pasta para o partido. "Seguramente, qualquer mudança vai nessa perspectiva, de buscarmos consolidar as alianças estratégicas. Quanto ao perfil no lugar de cada partido, de cada técnico, na montagem do governo, é uma construção cujo maestro é só o presidente Lula", disse Mercadante.