Título: Para analistas, aumento de salário medido pelo IBGE está superestimado
Autor: Janaina Vilella
Fonte: Valor Econômico, 27/01/2006, Brasil, p. A3
Influenciado pelo aumento real de 7% no salário mínimo e pela menor inflação acumulada no ano, o salário médio real dos trabalhadores formais admitidos em todo o Brasil cresceu 4,6% em 2005. É um resultado melhor do que os 3,5% apurados entre 2003 e 2004 pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. O número também está acima da estimativa da LCA Consultores de alta de 2% para o rendimento médio pesquisado pelo IBGE, que contabiliza ocupados com e sem carteira nas regiões metropolitanas. Essa projeção é bem menor do que os 5,8% divulgados pelo instituto. Boa parte dos analistas acredita que os dados do IBGE estão superdimensionados e fazem estimativas mais tímidas para o crescimento da renda em 2005. O bom desempenho mostrado pelos dados do Caged pode ser justificado pelo fato de o cadastro mostrar apenas o setor formal do mercado de trabalho, onde os salários são maiores e as negociações salariais costumam ser mais vantajosas aos trabalhadores. Além disso, lembra Sergio Vale, da MB Associados, cerca de 90% das vagas abertas em 2005 informadas ao ministério foram para cargos em que a remuneração mensal inicial não ultrapassa dois salários mínimos. "Esse tipo de vaga acaba por ter uma forte correlação com o aumento do salário mínimo. Param quem ganha, por exemplo, dez salários mínimos, a influência do reajuste é muito menor, pois a indexação praticamente não existe", comenta o economista Fábio Romão, da LCA Consultores. Ele lembra também que em 2005 a inflação fechou em 5,7%, bem abaixo dos 7,5% do ano anterior. "Isso aumenta o ganho real do trabalhado", diz. Para este ano, contudo, a inflação não funcionará como um diferencial tão forte para o ganho de renda. Romão estima que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche 2006 em 4,6%. Pelos números do Caged, o salário médio dos admitidos em 2005 ficou em R$ 545,50. O das pessoas demitidas, em contrapartida, foi de R$ 615,50. "Isso confirma a percepção de que o mercado de trabalho está cada vez mais seletivo e que o poder de barganha dos trabalhadores é pequeno", avalia. Paula Montagner, coordenadora do Observatório do Trabalho, do ministério, que o salários das pessoas contratadas é, em média, entre 20% e 25% menor do que as demitidas. Em 2005, a maior alta nos salários ocorreu para as ocupações na administração pública de cargos com carteira e não estatutários (concursados). O salário médio de admissão subiu 10% além da inflação e passou a valer R$ 734,8. Em contrapartida, no comércio, o rendimento foi enxugado em 4,5% e ficou em R$ 487,4. (RS)